segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

UM BELO EXEMPLO DA ORAÇÃO QUE É OUVIDA POR DEUS

Queridas irmãs, queridos irmãos.

Que Deus, nosso Pai e Criador, nos abençoe, fortaleça e proteja para que não caiamos em novas tentações e nos libertemos do mal!

Encontramo-nos na antessala de um novo ciclo evolucional. Mas, evidentemente, não será uma simples mudança de folhinha que nos transformará, mesmo que cosmética ou superficialmente. 

No entanto, o ano de 2013 poderá vir a ser o Ano Novo de nossas vidas, desde que assumamos - e cumpramos - perante o Altíssimo o sagrado compromisso de administrar o teor preferencial dos nossos pensamentos, positivando-o e revestindo-o com o amor irrestrito pregado por Jesus, Irmão Maior oferecido por Deus para nos guiar na conquista da tão sonhada felicidade.

Porém, dada a nossa fragilidade emocional e extrema subordinação às reivindicações da matéria, quase sempre incompatíveis com o nosso progresso intelecto-moral, a oração constitui-se um recurso indispensável para a manutenção ou retomada da paz e do equilíbrio, essenciais à concretização da plenitude

Mas como devemos orar? 

Em a Voz do Monte (4.ª edição, Brasília, FEB, 1991, págs. 119/120), Richard Simonetti relembra-nos que Jesus nos orienta no sentido de não falarmos e/ou pedirmos muito, pois o petitório longo desvirtua a oração, deslocando-a do solo sagrado das cogitações superiores para o deserto árido dos interesses imediatistas. 

E, em momento de grandiosa inspiração mediúnica, Simonetti nos presenteia com um exemplo de repassada beleza e elevado teor ético-moral. Conta-nos a história de um velho e sofrido escravo africano, que não obstante as vicissitudes do cativeiro, revelava profunda serenidade e inesgotável otimismo. 

Ele, o escravo, sempre se levantava tão logo o sol brilhava no horizonte, e dirigia-se para a gleba de terra sob seus cuidados munido de uma enxada apoiada sobre seus ombros vergados pelo cansaço, e protegido dos raios solares apenas por um chapéu gasto, amarfanhado.

Contudo, apesar de toda a sua ignorância, o velho escravo cumpria um ritual inalterável: ao chegar ao seu local de labor extenuante desvencilhava-se da enxada, lançando-a ao solo, retirava o chapéu da cabeça, encostando-o ao peito arfante, olhava para o Céu e dizia:

- "Sinhô, nego veio tá aqui."

Sua oração, conquanto sintética e eivada de incorreções vocabulares, brotava de sua alma e, por assim ser, era ouvida amorosamente por Deus.

Intuitivamente, o ancião africano sabia que o Criador, melhor do ele mesmo, conhecia todas as suas necessidades. Para que, portanto, enunciá-las?  Por isso, procurava-O apenas na qualidade de um filho que não queria iniciar seu dia, sua jornada de trabalho sem pedir a benção de seu Pai, entregando-se, confiante aos seus cuidados.

Semelhante atitude garantia-lhe o acesso às Fontes da Vida, sustentando-lhe o equilíbrio e a paz, ainda que privado da liberdade.    

Que este belo exemplo nos sirva de alicerce para a materialização de uma sólida reforma interior para melhor durante todo o transcurso do ano que se avizinha, alavancando nosso progresso intelecto-moral e abreviando nossa libertação desse mundo de provas e expiações.

São os nossos sinceros votos!!! 



  



  

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

JESUS E O CONVITE DA MERETRIZ


"Era um dia de primavera em Jerusalém.

A terra respirava o perfume agradável das azaléias em flor e a onomatopeia da natureza cantava um hino de louvor à vida.

O sol fechava seu leque de plumas douradas no poente e aquele homem sentado na escadaria do templo olhava a natureza festiva do Vale do Seridó.

Passa por ali uma jovem mulher, bela, os cabelos caindo sobre os ombros, portando algumas joias caras, vestida à moda de babilônia, e vendo aquele homem bonito ela se enterneceu, acercou-se dele e disse-lhe:

- Nazareno, eu sei que tu és nazareno pelos teus cabelos, pela tua barba; e sei que és viajante e acabas de chegar porque os teus pés ainda estão marcados pela urze do caminho e a tua testa está com fios de cabelo empapados de suor.

Ele então olhou para ela.

- Nazareno, eu sou vendedora de ilusões. Eu vendo perfumes, vendo carícias, sou muito rica, os homens pagam verdadeiras fortunas para ficarem ao meu lado. Hoje é o dia do meu aniversário e eu já recusei um sacerdote, um príncipe da induméia e um legionário. Porque hoje sou eu quem vai escolher o parceiro para dormir comigo. E eu encontro a ti e quero te convidar para que vás a minha casa, porque hoje é a minha festa. Tu irás?

- Jesus olhou para ela e lhe disse: Hoje eu não posso.

- Oh! Nazareno, eu não fui clara. Eu não vou te cobrar nada. As minhas burras estão arrebentando de joias, meus cofres repletas de ouro, não te cobrarei nada. Eu somente quero te convidar- para que compareças a minha casa e nela passe a noite como meu hóspede especial. Tu irás?

- Jesus a olhou ternamente e ao som maravilhoso da natureza em crepúsculo disse-lhe: Mas hoje eu não posso.

- Oh! Nazareno, deixa-me dizer-te uma coisa: os homens disputam as minhas carícias e eu as vendo a altos preços. A ti eu não pedirei nada. Vem comigo a minha casa. Eu sequer te pedirei qualquer coisa. Eu colocarei uma escrava da Núbia, nua, para bailar diante de ti. Lavarei os teus pés em uma bacia de prata e os enxugarei com os meus próprios cabelos, e não te pedirei nada. Vem.    

- Ele se levantou e sua bela figura apaixonou mais ainda aquela mulher perdida. E ele disse: perdoa-me, hoje eu não posso. eu assim procedo porque te amo. Eu vejo nos teus olhos uma estranha chama e assim procedo porque te amo.

 - Oh! Nazareno, pelo menos venhas a minha casa de meretriz e senta-te no meu triclínio para que eu te olhe da minha porta e possa dizer depois que um dia o homem que era bom como a felicidade, nobre como a labareda de fogo e puro como a espada nua passou pela minha casa de mulher perdida e não me tocou.

- Hoje eu não posso. Mas um dia que não está longe de chegar eu atenderei o teu apelo e irei a tua casa.

- Eu sou uma mulher caprichosa e quero que vás hoje mesmo a minha casa.

- Hoje eu não posso.     

A mulher saiu blasfemando e desapareceu.

Dois anos depois, Jesus estava nas cercanias de Jerusalém ensinando à multidão, quando dele se aproximou uma mulher de idade e lhe falou alguma coisa ao ouvido, apontou para uma gruta e perguntou-lhe: tu irás?

- Sim, eu irei contigo.

Então a mulher o pegou pela mão e o conduziu até a gruta, apontando para o seu interior.

Jesus adentrou na gruta escura que exalava odores insuportáveis de carnes pútridas. Alongou os braços e tomou a direção de uma criatura que gemia e chorava dolorosa e copiosamente.

Seus dedos penetraram nos cabelos úmidos de pus.

Uma voz roufenha, brotando de uma cabeça disforme, postada sobre um corpo totalmente dilacerado, se fez então ouvir: 

- Que queres de mim? Foge.  Eu tenho lepra. Se tu vieste comprar perfume, foge, deixa-me morrer. Não tenho mais nada para vender. E se vieste por piedade, deixa-me morrer, é tarde demais. Tenho lepra e aqueles que te virem sair daqui irão perseguir-te de forma implacável.

- E Jesus lhe disse: eu não posso ir embora. Um dia tu me chamaste para a tua festa de aniversário e eu te disse que não podia ir, mas lhe garanti que um dia eu viria.

Então aquela mulher recuou, limpou os olhos em chagas e lhe disse com inexcedível emoção:

- Oh! Nazareno belo, és tu? Porque demoraste tanto? Eu te esperei dois anos. Desde o dia em que te conheci, eu que não tinha paz perdi também a alegria de viver. Toda noite eu colocava na janela uma lâmpada acesa para que iluminasse a noite e tu pudesses chegar a minha casa. Mas tu não vieste. Agora é tarde. Sou toda podridão e não tenho nada para te dar.

- Mas eu te prometi. Eu te disse que um dia eu te atenderia.

Jesus ergueu então a mulher nos braços, estreitou-a de encontro ao tórax e saiu.

Quando saíram, ela cobriu o rosto com vergonha das feridas causadas pela lepra. Jesus, segurando-a com braços fortes, retirou-lhe as mãos do rosto e lembrou-se da frase que lhe havia dito em Jerusalém. 

Olhou para os olhos em prantos e disse-lhe sorrindo:

- Não te perturbes. Eu te amo. Eu agora vejo nos teus olhos uma estranha chama e assim procedo porque te amo. Morre em paz. Se teu corpo não serve para nada, dá-me tua alma. Eu sou o bom pastor e aquele que me entregar a alma, mesmo morrendo, entrará na vida.

             A mulher recolheu-se calmamente e faleceu nos braços de Jesus”.        

             Feliz Natal de 2012!!!    



 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

UMA FEIJOADA, UM RATO E ...UM GRANDE REMORSO!

Funcionários do Banco do Nordeste lotados na Agência de Simão Dias, eu, Brito, Geraldo, Sávio, Édson Caetano e outros benebeanos éramos hóspedes mensalistas da  pensão de "Mãe Miné" - um pseudônimo por si só revelador da ternura maternal de uma inesquecível figura humana.
 
Num final de semana do verão de 1970, a pensão estava completamente lotada, devendo-se a plenitude da taxa de ocupação à hospedagem de vários atletas de um time de futebol visitante que enfrentaria a equipe simãodiense na tarde de domingo.
 
Experiente, "Mãe Miné" providenciou com a devida antecedência a elaboração de uma lauta e suculenta feijoada para servir como prato principal no almoço domingueiro.
 
Sintonizado em faixas vibratórias de má qualidade, surgiu-me a ideia de colocar um pequeno rato de borracha dentro do imenso caldeirão onde animadamente fervilhavam os ingredientes da tão afamada iguaria regional, inundando toda a pensão com um odor agradabilíssimo. Consumei o censurável intento no domingo pela manhã, às vésperas do almoço, camuflando estrategicamente o ratinho entre os pertences mais densos e atraentes da feijoada.
 
Na hora da refeição, apressei-me em abastecer meu prato, cuidando de pinçar com uma concha o ratinho que havia jogado dentro do caldeirão. Passo seguinte, já sentado à mesa, espetei o animalejo com o garfo e agitando-o alvoroçadamente esbravejei: um rato!
 
O desfecho é tão óbvio que não requer qualquer comentário elucidativo.
 
Mais de 40 anos depois, a simples lembrança desse funesto epísódio reacende a fogueira inapagável do remorso!  

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O INSUPERÁVEL VALOR SEMÂNTICO DA PALAVRA ENTUSIASMO

Nós, espíritos encarnados em um dos mundos de provas e expiações - o planeta Terra -, defrontamo-nos a todo instante com os mais variados e quase sempre aflitivos problemas do cotidiano, gerados de forma consciente ou inconsciente pelos nossos próprios pensamentos, palavras e atitudes, que nos põem em sintonia com as energias circunstantes equivalentes. 

Não existem, pois, dores e sofrimentos injustos ou desarrazoados. 

Somos o que pensamos, já que o pensamento precede nossa fala e nossa ação. Noutras palavras: ao agirmos livremente ("a semeadura é livre") provocamos uma inevitável reação energética correspondente ("mas a colheita é obrigatória"). 

À medida em que evoluímos no campo intelectual, vamos compreendendo gradativamente as leis divinas que regem o Universo e, por via de consequência,  distinguindo os padrões mentais que nos escravizam ao plano terreno dos que nos impulsionam à conquista da plenitude, aos braços de Deus, nosso Pai e Criador!

Após distingui-los, devemos esforçarmo-nos infatigavelmente pela otimização do teor preferencial dos nossos pensamentos (eis a reforma interior preconizada pela Doutrina Espírita), plasmando uma nova tela mental povoada por padrões mentais positivos e saudáveis.

Para tanto, o ENTUSIASMO pela vida corpórea constitui o único alicerce que nos permitirá suportar o peso que constantemente recai sobre os nossos ombros, como nos adverte o querido mestre Jesus.

Mas, o que significa ENTUSIASMO? Etimologicamente, a palavra grega  enthousiasmos é composta pelos termos en (dentro) + Theos (Deus), mais a terminação asmos. Depreende-se, portanto, com extrema facilidade, que o ENTUSIASMO consiste em abrigar Deus dentro de si.

Daí a insuperabilidade mencionada no título desse recorte fraterno.

Que Deus nos abençoe!    


quinta-feira, 22 de novembro de 2012


UMA FORMA INUSITADA DE LIMPAR A MEMÓRIA DA HP-12C
No período de 12/08 a 22/11/1991, inclusive, o Banco do Nordeste patrocinou a realização do 1.º Curso de Formação de Gerentes Classe Especial, na cidade de Fortaleza(CE).
 
A experiência adquirida em treinamentos precedentes induziu o então chefe do Departamento Financeiro do BNB, Dr. João Batista dos Santos, a prefaciar suas aulas de Matemática Financeira com o ensino das funções básicas da HP-12C, sobretudo no tocante à utilização das cinco primeiras teclas da calculadora.
 
Assim que iniciou os estudos destinados à obtenção da taxa efetiva anual equivalente à taxa de juros de 5% ao mês, ou seja, para resolver a expressão algébrica i= (1 + i)n, sendo ia a taxa efetiva anual, i  a taxa mensal de 5% e n o número de meses do ano, o mestre benebeano se deparou com um problema inesperado: um dos alunos, o "Ferreirinha", não conseguia encontrar o resultado de 79,59% a que todos os demais havia chegado com o emprego das teclas financeiras da HP-12C.

Surpreso, João Batista particularizou a instrução: 

- "Ferreirinha", digite primeiro o número 12 e armazene na primeira tecla da HP, encimada pela letra n; em seguida, digite o número 5 e armazene na segunda tecla, identificada pela letra i; agora, digite o número 100 e clique na tecla PV, para armazená-lo como Valor Presente; aperte agora as teclas FV e CHS e obterás como resultado o montante de  179,59 (100 do capital armazenado em PV + 79,59 de juros). Consequentemente, 79,59% é a taxa efetiva anual equivalente a 5% ao mês. Tudo ok?

-   Tá não, professor. Na minha máquina dá 8.138,15!!!

Por mais algumas vezes o instrutor repetiu pacientemente a sequência dantes exposta, esmerando-se na exposição didático-pedagóca da matéria. Em todas elas, porém, os incompreensíveis 8.138,15 ocupavam teimosamente o visor da HP-12C de "Ferreirinha". 

Após constatar que seu aluno estava armazenando corretamente os números que lhe transmitia, João Batista valeu-se de seu conhecimento matemático e checou, um a um, o conteúdo das cinco primeiras teclas da calculadora utilizada por seu aluno.

Comprovou, então, que a tecla PMT abrigava em suas entranhas um resíduo numérico de 500, oriundo provavelmente de algum exercício matemático anterior, justificando, portanto, os 8.138,15 que apreciam no visor da calculadora (trocando em miúdos: o valor contido na tecla PMT indicava que além do capital inicial de 100, estocado em PV, foram feitos 12 acréscimos mensais, iguais e consecutivos de 500).

Feliz com a descoberta, o mestre instruiu seu aluno de forma estritamente técnica, que se mostraria absolutamente ineficaz e ineficiente: 

- "Ferreirinha", a memória de sua máquina está suja. Limpe-a, e obterás o resultado almejado.

Sem pestanejar, e por desconhecer por inteiro a existência e funções das teclas CLEAR da HP-12C, "Ferreirinha" esfregou o visor de sua calculadora na manga longa da camisa que vestia!!!                        
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012


DO CUIDADO QUE SE DEVE TER COM CERTAS PALAVRAS


Há muito tempo, numa pequena comunidade interiorana do Estado de Sergipe, uma senhora de meia idade, trêmula e ansiosa, aguardava, desde cedo, na entrada da casa em que funcionava o único cartório local e na qual o juiz de direito exercia os seus afazeres jurisdicionais, alguém que lhe explicasse o conteúdo do envelope que lhe fora entregue por um carteiro e que segurava forte e nervosamente com ambas as mãos.

Acostumado com tais situações, o experiente magistrado percebeu logo ao chegar ao seu local de trabalho o estado emocional da referida senhora, e dela se aproximou com um largo sorriso no rosto. Após cumprimentá-la cordialmente, o douto juiz se lhe apresentou com tal e perguntou-lhe em que poderia servi-la. 

Sem pestanejar, ela lhe entregou o já amarfanhado envelope, revelando-lhe, de logo, sua enorme preocupação em receber, pela primeira vez na vida, um documento do Poder Judiciário convocando-a para comparecer àquele local, naquele dia e naquela hora. 

Sereno, o juiz conduziu-a até a sala de despachos, abriu o envelope e, após ler seu conteúdo, esboçou um novo sorriso. 

Não se preocupe, minha senhora – disse-lhe o magistrado, trata-se apenas de uma intimação para que dê sua opinião sobre uma desavença que houve entre duas pessoas que moram em sua rua, tendo em vista que a senhora foi arrolada por uma delas como testemunha.

O sorriso do magistrado foi interrompido bruscamente por uma sonora bofetada desferida pela nervosa interlocutora, que aos que aos brados gritou:

“O Senhor me respeite, doutor. Sou uma mulher de família decente e casada. Arrolada é sua mãe!”


  1. ZÉ AMÉRICO E A MARCHA À RÉ DA CORNITUDE

    No alvorecer da década de 70 do século passado, Juarez Moraes Chaves, Carlos Alberto Déda e eu administrávamos o Setor de Crédito Rural da agência do Banco do Nordeste em Simão Dias (quanta saudade!), à época um dos mais dinâmicos do BNB.

    Dentre os funcionários lotados no referido setor havia um popularmente conhecido como Zé Américo, perfeccionista e muito espirituoso.

    Um belo dia, foi dada a Zé Américo a incumbência de tomar uma proposta de um cliente que tinha fama de corno em Simão Dias. 

    Ao enquadrar cada uma das proposições de investimento verbalizadas pelo cliente nos padrões utilizados pelo banco, Zé Américo reduziu significativamente o total ambicionado, em decorrência da imperiosa exclusão dos excessos injustificados.

    Insatisfeito, o cliente esbravejou:

    - Parece que hoje eu pisei em rasto de corno!

    Zé Américo não titubeou e, de plano, formulou a terrível pergunta:

    - Andaste de costas?

  1. A VERGONHA SOB DUAS LENTES INTERPRETATIVAS



    No segundo semestre de 1971, o Banco do Nordeste promoveu o XI Curso de Crédito Rural na Colônia de Iparana, situada na cidade praiana de Caucaia, no Ceará.


    Dentre outras exigências, o BNB estabeleceu, através do seu Departamento de Pessoal, então chefiado pelo Dr. Paulo de Aguiar Frota, afamado e temido por sua indisfarçável sisudez e incontornável mau-humor, que qualquer nota inferior a 7,0 eliminaria inapelavelmente o funcionário participante do treinamento.


    Mal começaram as provas, verificou-se o primeiro tropeço.

    Inconformado com a severidade do castigo, um dos treinandos, corajosamente, travou o seguinte diálogo em sala de aula com o Dr. Paulo Frota:

    - Dr. Paulo, o senhor não acha que seria muito melhor para o banco que o funcionário apenado continuasse participando do treinamento, mesmo que na qualidade de mero assistente, para que incorporasse novos conhecimentos teóricos e melhorasse seu desempenho funcional?

    - Não, não acho. As normas adredemente estabelecidas devem ser rigorosamente cumpridas, respondeu-lhe, visivelmente insatisfeito, o carrancudo gestor.

    - Imaginemos, Dr. Paulo, insistiu o treinando, que o BNB indicasse o senhor para participar de um treinamento promovido pelo Banco Central e que, na véspera de uma das provas mais importantes, o senhor tomasse conhecimento, por via telefônica, que um de seus familiares havia adoecido. E que, no dia seguinte, angustiado e sonolento, não logrou alcançar a nota mínima e foi eliminado do curso. Como o senhor se sentiria?

    - Tranquilo, dada a consciência que tenho de que a instituição promotora do evento nada tem a ver com os problemas pessoais e familiares de cada participante.

    Com incrível naturalidade, o treinando manifestou sua opinião final sobre o assunto:

    - É, Dr. Paulo, mas para quem tem vergonha é um momento muito difícil e doloroso!!!

A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...