Em 1956, formou-se na cidade britânica de Liverpool uma banda de rock inicialmente chamada de Silver Beetles, mas logo renomeada, por sugestão de John Lennon, para The Beatles. Na década imediatamente seguinte, ela se transformaria no empreendimento musical mais bem-sucedido e festejado da história da musica popular internacional.
No Brasil, a beatlemania repercutiu de forma estrepitosa, deflagrando a criação do movimento apelidado de Jovem Guarda, onde Renato e Seus Blue Caps (1958) e The Brazilian Bitles (1965) pontuaram como bandas emblemáticas da introdução do som dos Beatles no cenário nacional, aquela até hoje reconhecida e famosa e esta injustamente esquecida...
A cidade serrana também foi sensibilizada pelos novos paradigmas sonoros implantados pelos jovens cabeludos de Liverpool, tendo como baluartes seus impetuosos filhos Beto Silveira e Tonho Tapioca.
Fãs ardorosos do ritmo agitado das melodias e do som febril e estridente das guitarras do yê-yê-yê, eles iniciaram uma saga coloquial junto a mim, Aírton, Anatólio e Luiz sugerindo-nos a fundação de um conjunto do novo gênero, argumentando, com vigor insuplantável, que os dotes musicais de cada um de nós poderiam ser transmutados da seguinte forma para compor a nova banda:
Fãs ardorosos do ritmo agitado das melodias e do som febril e estridente das guitarras do yê-yê-yê, eles iniciaram uma saga coloquial junto a mim, Aírton, Anatólio e Luiz sugerindo-nos a fundação de um conjunto do novo gênero, argumentando, com vigor insuplantável, que os dotes musicais de cada um de nós poderiam ser transmutados da seguinte forma para compor a nova banda:
- eu, solista de cavaquinho, violonista de serenatas e ex-guitarrista do Conjunto Dreher, seria o guitarra-solo;
- Aírton, até então saxofonista (sax alto), assumiria o baixo-eletrônico (não busquem correlações, pois elas não existem nem nunca existiram);
- Anatólio seria o baterista, dada a sua mania de tamborilar nas laterais de sofás e poltronas, em bancos de jardim e onde mais pudesse extrair algum som;
- Luiz, à época um simples aprendiz de violão, seria o guitarra-base.
Tudo relativamente fácil e exequível, na visão otimista de seus mentores, tão animada e contagiante que findamos encampando a ideia (e como foi bom tê-la acatado...).
Amealhados a duras penas os recursos financeiros necessários, Beto viajou para a cidade de São Paulo onde adquiriu os instrumentos possíveis e indispensáveis: duas guitarras, um baixo. uma bateria e dois amplificadores de médio porte.
Lembro-me bem que seu retorno da capital paulista foi comemorado festivamente por todos nós, tal como crianças ao ganhar presentes de Papai Noel em noite de Natal.
Passada a euforia inicial, três graves problemas se interpuseram entre o sonho e a realidade.
O primeiro consubstanciava-se na falta de identificação de cada músico com o instrumento que lhe fora destinado e/ou com a maneira de tocá-lo, pois foi somente então que:
Lembro-me bem que seu retorno da capital paulista foi comemorado festivamente por todos nós, tal como crianças ao ganhar presentes de Papai Noel em noite de Natal.
Passada a euforia inicial, três graves problemas se interpuseram entre o sonho e a realidade.
O primeiro consubstanciava-se na falta de identificação de cada músico com o instrumento que lhe fora destinado e/ou com a maneira de tocá-lo, pois foi somente então que:
- eu percebi que precisava aprender a solar uma série de melodias que desconhecia, ou conhecia superficialmente, valendo-me apenas de meus recursos auditivos, já que nunca estudara música;
- Aírton descobriu ao vivo e a cores que o saxofone alto nada tinha a ver com o baixo eletrônico;
- Anatólio sentiu na pele que manejar os vários componentes da bateria era muito mais complexo e difícil do que extrair sons de móveis e utensílios;
- Luiz, ainda engatinhando no aprendizado do violão e enfrentando dificuldades até mesmo para formar posições que envolvessem pestanas, aquilatou quanto seria difícil converter-se, a curto prazo, no elemento rítmico básico do conjunto.
O terceiro problema, visceralmente ligado ao primeiro, correlacionava-se com a falta de respostas hábeis para satisfazer duas questões fundamentais: (1) onde aprender a tocar os novos instrumentos? (2) onde ensaiar? Para nossa felicidade, o bairrismo itabaianense falou mais alto e vários locais nos foram oferecidos para viabilizar o atrevido intento musical, sendo utilizado, com mais frequência, os fundos do Cebolinha (antigo bar de João de Babau), graciosamente cedido por João de Manoel Teles, um dos maiores fãs e entusiasta de ver Itabaiana enfrentar musicalmente Lagarto, que até então detinha o monopólio do gênero com o invariavelmente excelente Los Guaranis.
Todas as dificuldades foram heroicamente enfrentadas e superadas pelos componentes do grupo, os quais conseguiram o feito extraordinário de em poucos meses aprenderem a manusear seus novos instrumentos e iniciar as exitosas apresentações públicas que imortalizariam Os Nômades.
continua...
