A conjugação do amor devotado à música com o fascínio causado pelos instrumentos recém-chegados de São Paulo e a vontade inquebrantável de interpretar os grandes sucessos dos Beatles, Renato e Seus Blue Caps, Brazilian Bitles e Os Incríveis gerou uma poderosa sinergia que nos favoreceu o aprendizado dos instrumentos de cordas e percussão respectivos em longos e exaustivos ensaios onde a alegria fraterna, a colaboração espontânea e o entusiasmo juvenil anestesiaram as dores da fadiga e do cansaço.
Vencida rápida e heroicamente a fase de aprendizado (hoje tenho certeza que cada um de nós já havia sido músico em vidas passadas), de logo adentramos na etapa subsequente, qual seja, a de seleção das músicas que comporiam o repertório inicial do conjunto, sem dúvida a mais fácil, animada e agradável, porquanto a impetuosidade da juventude nos induziu ao projeto grandiloquente de interpretar todas as composições musicais que agitavam o universo melódico contemporâneo, fossem nacionais ou internacionais.
Definido o pretensioso portfólio musical, iniciamos as atividades operacionais necessárias à interpretação das melodias pré-selecionadas. Deparamo-nos, então, com sérios problemas que haviam sido ofuscados pelo nosso arroubo juvenil, alguns até insolúveis.
Ei-los:
- muitas músicas tocadas pelos bandas de rock tomadas como paradigmas envolviam a participação de instrumentos que não dispúnhamos, nem sabíamos tocar (piano, órgão, teclado, saxofone, gaita etc);
- várias outras, requeriam habilidades e técnicas que não detínhamos como músicos iniciantes no trato dos instrumentos que nos foram destinados;
- para densificar a problemática, nossos instrumentos e amplificadores não dispunham de recursos sofisticados; o único avanço tecnológico era uma alavanca existente na guitarra-solo cujo acionamento concomitante com o ferir da palheta nas cordas de aço causava oscilações nas ondas sonoras.
Diante de tais obstáculos, tudo levava a crer que não nos restava nenhuma outra alternativa senão a de abandonar o sonho de interpretar várias de nossas músicas prediletas.
Entretanto, confirmando mais uma vez a veracidade da máxima "ajuda-te que o céu te ajudará", conseguimos superar muitas das dificuldades liminarmente consideradas insuplantáveis com o sempre saudável e eficaz exercício da fé e da criatividade, mantendo em nosso repertorio diversas das melodias desejadas.
Entretanto, confirmando mais uma vez a veracidade da máxima "ajuda-te que o céu te ajudará", conseguimos superar muitas das dificuldades liminarmente consideradas insuplantáveis com o sempre saudável e eficaz exercício da fé e da criatividade, mantendo em nosso repertorio diversas das melodias desejadas.
Composto e ensaiado o repertório vestibular, decidimos, por unanimidade, que a estreia oficial não poderia ser em nenhum outro local senão no Cebolinha que sempre nos fora cedido gratuitamente por João de Manoel Teles para sediar nossos longos, exaustivos, alegres e barulhentos ensaios.
Antes, porém, devíamos escolher uma das músicas que sabíamos tocar como trilha sonora ou tema de abertura do conjunto. Aírton, o único integrante da banda que havia estudado música, sugeriu a música Black is Black - um dos maiores sucessos da orquestra de Paul Mauriat nos anos 1960 - argumentando e convencendo-nos de que o ritmo contagiante da melodia e a entrada progressiva do baixo eletrônico, guitarra-base, bateria e guitarra-solo causaria um grande impacto no público-alvo que almejávamos conquistar.
Tudo pronto, inclusive a decoração do Cebolinha, submetemo-nos à prova final: em poucas palavras, Beto anunciou o conjunto e pediu que a plateia ouvisse com atenção a música-tema de Os Nômades (Black is Black), no intuito de, a final, opinar se deveríamos ou não mantê-la como nossa identidade sonora.
Conforme previra Aírton, o vigor da música e, sobretudo, a entrada paulatina dos instrumentos causou um verdadeiro êxtase coletivo, culminando com demorados e calorosos aplausos de todos aqueles que nos assistiam.
Logo em seguida, expusemos o arranjo que havíamos feito de "O Milionário", um dois maiores sucessos de "Os Incríveis", sendo aplaudidos de pé pelos nossos primeiros e queridos fãs.
A estreia, portanto, não poderia ser mais exitosa.
- continua...
Tudo pronto, inclusive a decoração do Cebolinha, submetemo-nos à prova final: em poucas palavras, Beto anunciou o conjunto e pediu que a plateia ouvisse com atenção a música-tema de Os Nômades (Black is Black), no intuito de, a final, opinar se deveríamos ou não mantê-la como nossa identidade sonora.
Conforme previra Aírton, o vigor da música e, sobretudo, a entrada paulatina dos instrumentos causou um verdadeiro êxtase coletivo, culminando com demorados e calorosos aplausos de todos aqueles que nos assistiam.
Logo em seguida, expusemos o arranjo que havíamos feito de "O Milionário", um dois maiores sucessos de "Os Incríveis", sendo aplaudidos de pé pelos nossos primeiros e queridos fãs.
A estreia, portanto, não poderia ser mais exitosa.
- continua...