Gerenciei a agência do Banco do Nordeste em Arapiraca de 1978 a 1983, quando a economia local se destacava pela farta exportação de folhas de fumo para Cuba, França, Itália, Estados Unidos e outras nações.
Contava-se, então, um caso deveras hilário e interessante.
Um ex-prefeito arapiraquense, eleito deputado federal, viajou pela primeira à Brasília e, em lá chegando, foi convidado por outros parlamentares para um jantar de confraternização num dos restaurantes mais luxuosos da capital federal.
Frequentador assíduo de ambientes mais simples, em que lhe era servido o tão apreciado churrasco de porco, boi e galeto, o representante do povo alagoano estampou de chofre a sua fascinação pelo luxo e requinte da casa selecionada por seus pares.
Nervoso, não lhe foi dado perceber que os demais fregueses utilizavam o líquido perfumado contido numa bela tigela de porcelana colocada à frente de cada qual para higienizarem suas mãos. E, coitado, acostumado a tomar seus aperitivos com caldinhos de feijão enriquecidos com pedacinhos de jabá, não pestanejou: ingeriu todo o conteúdo do recipiente que lhe fora destinado.
Seus amigos - se é que se lhe podem atribuir esse apelido - entreolharam-se surpresos e estupefatos, esboçaram sorrisos habilmente disfarçados, mas nada disseram.
Quando o maitre compareceu à mesa para colher opiniões, sugerir cardápios e anotar pedidos, o neófito deputado alagoano, enxugando os lábios ainda umedecidos, perguntou-lhe:
-"De que era mesmo o caldinho?"
