quarta-feira, 21 de novembro de 2012


DO CUIDADO QUE SE DEVE TER COM CERTAS PALAVRAS


Há muito tempo, numa pequena comunidade interiorana do Estado de Sergipe, uma senhora de meia idade, trêmula e ansiosa, aguardava, desde cedo, na entrada da casa em que funcionava o único cartório local e na qual o juiz de direito exercia os seus afazeres jurisdicionais, alguém que lhe explicasse o conteúdo do envelope que lhe fora entregue por um carteiro e que segurava forte e nervosamente com ambas as mãos.

Acostumado com tais situações, o experiente magistrado percebeu logo ao chegar ao seu local de trabalho o estado emocional da referida senhora, e dela se aproximou com um largo sorriso no rosto. Após cumprimentá-la cordialmente, o douto juiz se lhe apresentou com tal e perguntou-lhe em que poderia servi-la. 

Sem pestanejar, ela lhe entregou o já amarfanhado envelope, revelando-lhe, de logo, sua enorme preocupação em receber, pela primeira vez na vida, um documento do Poder Judiciário convocando-a para comparecer àquele local, naquele dia e naquela hora. 

Sereno, o juiz conduziu-a até a sala de despachos, abriu o envelope e, após ler seu conteúdo, esboçou um novo sorriso. 

Não se preocupe, minha senhora – disse-lhe o magistrado, trata-se apenas de uma intimação para que dê sua opinião sobre uma desavença que houve entre duas pessoas que moram em sua rua, tendo em vista que a senhora foi arrolada por uma delas como testemunha.

O sorriso do magistrado foi interrompido bruscamente por uma sonora bofetada desferida pela nervosa interlocutora, que aos que aos brados gritou:

“O Senhor me respeite, doutor. Sou uma mulher de família decente e casada. Arrolada é sua mãe!”


  1. ZÉ AMÉRICO E A MARCHA À RÉ DA CORNITUDE

    No alvorecer da década de 70 do século passado, Juarez Moraes Chaves, Carlos Alberto Déda e eu administrávamos o Setor de Crédito Rural da agência do Banco do Nordeste em Simão Dias (quanta saudade!), à época um dos mais dinâmicos do BNB.

    Dentre os funcionários lotados no referido setor havia um popularmente conhecido como Zé Américo, perfeccionista e muito espirituoso.

    Um belo dia, foi dada a Zé Américo a incumbência de tomar uma proposta de um cliente que tinha fama de corno em Simão Dias. 

    Ao enquadrar cada uma das proposições de investimento verbalizadas pelo cliente nos padrões utilizados pelo banco, Zé Américo reduziu significativamente o total ambicionado, em decorrência da imperiosa exclusão dos excessos injustificados.

    Insatisfeito, o cliente esbravejou:

    - Parece que hoje eu pisei em rasto de corno!

    Zé Américo não titubeou e, de plano, formulou a terrível pergunta:

    - Andaste de costas?

  1. A VERGONHA SOB DUAS LENTES INTERPRETATIVAS



    No segundo semestre de 1971, o Banco do Nordeste promoveu o XI Curso de Crédito Rural na Colônia de Iparana, situada na cidade praiana de Caucaia, no Ceará.


    Dentre outras exigências, o BNB estabeleceu, através do seu Departamento de Pessoal, então chefiado pelo Dr. Paulo de Aguiar Frota, afamado e temido por sua indisfarçável sisudez e incontornável mau-humor, que qualquer nota inferior a 7,0 eliminaria inapelavelmente o funcionário participante do treinamento.


    Mal começaram as provas, verificou-se o primeiro tropeço.

    Inconformado com a severidade do castigo, um dos treinandos, corajosamente, travou o seguinte diálogo em sala de aula com o Dr. Paulo Frota:

    - Dr. Paulo, o senhor não acha que seria muito melhor para o banco que o funcionário apenado continuasse participando do treinamento, mesmo que na qualidade de mero assistente, para que incorporasse novos conhecimentos teóricos e melhorasse seu desempenho funcional?

    - Não, não acho. As normas adredemente estabelecidas devem ser rigorosamente cumpridas, respondeu-lhe, visivelmente insatisfeito, o carrancudo gestor.

    - Imaginemos, Dr. Paulo, insistiu o treinando, que o BNB indicasse o senhor para participar de um treinamento promovido pelo Banco Central e que, na véspera de uma das provas mais importantes, o senhor tomasse conhecimento, por via telefônica, que um de seus familiares havia adoecido. E que, no dia seguinte, angustiado e sonolento, não logrou alcançar a nota mínima e foi eliminado do curso. Como o senhor se sentiria?

    - Tranquilo, dada a consciência que tenho de que a instituição promotora do evento nada tem a ver com os problemas pessoais e familiares de cada participante.

    Com incrível naturalidade, o treinando manifestou sua opinião final sobre o assunto:

    - É, Dr. Paulo, mas para quem tem vergonha é um momento muito difícil e doloroso!!!

A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...