terça-feira, 20 de junho de 2017

AMOR, MEDICINA E MILAGRES

                                  
                                            “Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti,  serão as que curarão as doenças.”  Hipócrates (460-377 a.c.)

INTRODUÇÃO  

Na citação que serve de epígrafe ao presente trabalho, o pai da medicina deixa patente que somente com a mobilização dos recursos naturais que jazem em sua Essência Divina a criatura humana logrará a cura de suas enfermidades.
Em Plenitude, terceiro livro da renomada Série Psicológica psicografada por Divaldo Franco, a Mentora Joanna de Ângelis leciona que “a criatura humana possui, inexplorados, valiosos recursos que aguardam canalização conveniente. Entre eles, a bioenergia é fonte de inexauríveis potencialidades, que o desconhecimento e a negligência direcionam em sentido equivocado, malbaratando inconscientemente forças preciosas.”
Apesar de separadas por 25 séculos, as duas visões psíquicas expressam uma mesma realidade: o poder terapêutico invencível dos recursos naturais que integram o tesouro anímico do Espírito.
Examinemos mais detidamente o processo de cura espontânea das doenças.
A mente é o principal atributo da alma. Em um de seus hemisférios está gravada a legislação divina  — sintetizada na Lei de Amor —, segundo a resposta dada por Espíritos Superiores à Questão 621 de O Livro dos Espíritos; no outro, acha-se a central energética do livre-arbítrio, por meio da qual exercitamos livremente a faculdade de pensar (semear), assumindo, porém, a obrigação de colher os frutos produzidos pelas sementes lançadas sobre o Universo Interdimensional, sejam eles doces e saudáveis ou amargos e doentios.
Pensar é produzir energias em frequências correspondentes à modalidade pensada. Cada pensamento, ao ser emitido, é confrontado com os preceitos divinos consubstanciados na Lei de Amor, podendo, à evidência, coadunar-se ou não com os mandamentos do Pai-Criador, conforme seja amoroso e benigno ou desamoroso e maléfico, respectivamente.
No já citado livro Plenitude, o Espírito Amigo esclarece que as doenças provêm de desequilíbrios psicológicos que desestabilizam as vibrações dos órgãos que compõem a maquinaria orgânica, permitindo a proliferação de elementos destrutivos. Por assim ser, todo trabalho de regularização deve sempre partir da energia para o corpo, do espírito para a matéria, de dentro para fora.
É essencial que a criatura cultive ideias amorosas para que se mantenha em comunhão com o Criador, pois somente assim ela será fertilizada pelo amor divino, preservando ou restabelecendo seu equilíbrio mental e a consequente harmonia vibratória das peças que compõem o organismo perecível.
Sábias, portanto, as palavras de Hipócrates que prefaciam esta obra literária.  Não obstante, é muito triste constatar que a medicina ocidental ainda restringe sua atuação ao combate à doença, sem estabelecer programas que objetivem o desenvolvimento da saúde. Por isso, em geral os médicos creem — e agem — segundo a falsa crença de que é a doença que ataca as pessoas, e não estas que adoecem por se tornarem suscetíveis às suas causas.
Volvamos a Hipócrates. Com elogiável descortino ele apregoava, há 2.500 anos, que era mais fácil detectar o gênero de pessoa acometida por determinada doença, do que descobrir o gênero de doença sofrido por determinada pessoa.
Embora os médicos de primeira ordem saibam muito bem disso, a medicina ocidental não costuma estudar as pessoas que não adoecem. Poucos são os profissionais da saúde que procuram saber como as atitudes dos pacientes influenciam a duração e a qualidade de suas vidas.
Diversas pesquisas científicas realizadas com tecnologia de ponta revelam que o homem dispõe de recursos internos extraordinários, tanto para expressar mensagens de "vida", quanto para expedir comandos de "morte“. Está provado que o estado de espírito altera o estado físico por meio do sistema nervoso central, do sistema endócrino e do sistema imunológico, que a paz mental envia ao corpo a mensagem de "viva", ao passo que a depressão, o medo e demais negatividades psicológicas transmitem-lhe a mensagem de "morra".
Felizmente, nenhuma mensagem ou doença, por mais grave que seja, impede ou limita a capacidade de amar do ser humano!
Vale mencionar que no primeiro século da era cristã o poeta e retórico romano Decimus lunius Iuvenalis, popularizado entre nós como Juvenal, já asseverava, com inabalável convicção, que a saúde do corpo físico dependia da saúde da mente, ao proferir a máxima “mens sana in corpore sano”. 
Não existe milagre. Nas palavras abalizadas de Albert Einstein “o milagre é a ocorrência de um fato cujo mecanismo nós ignoramos.” As curas ou remissões espontâneas resultam da otimização de padrões mentais, da transmutação do sistema de crenças, da reforma íntima, para melhor, do Espírito em evolução.
Toda cura é, portanto, científica, muito embora a ciência ainda não seja capaz de explicar como se desenvolve o processo de autocura.
Após vivenciar diversas experiências com pacientes terminais, o famoso cirurgião norte-americano Dr. Bernie S. Siegel firmou a convicção de que o amor é a seiva da vida e escreveu o livro Amor, Medicina e Milagres, um referencial literário sobre o qual discorremos ao longo deste ensaio, em cujas primeiras linhas coletamos esses belos ensinamentos: “O problema central da maioria dos pacientes é o autodesamor, portal de acesso preferido das doenças. (...) os milagres não provêm do frio intelecto, porém do nosso eu autêntico e da perseverança naquilo que sentimos ser nosso verdadeiro rumo.”

Proatividade do doente  

"Quem realmente não acredita em milagres não é realista". David Ben-Gurion (1886-1973)
Os avanços científicos e tecnológicos têm tornado viáveis uma série de coisas e atividades que eram tidas como inadmissíveis, impraticáveis, inexequíveis.
No que concerne especificamente à saúde do ser humano, a medicina holística, a psicologia transpessoal, a psiconeuroendocrinoimunologia e demais ciências devotadas ao estudo do homem integral, que, a exemplo de culturas orientais multimilenárias, levam em conta as infinitas possibilidades de cura da energia anímica que todos nós possuímos em estado de latência, aguardando a oportunidade de ser convenientemente mobilizada, atingem resultados excepcionais.
Precisamos, pois, em caráter de urgência, deletar a palavra impossível do nosso vocabulário e substituir as expressões “milagre” e “remissão espontânea” por “autocura” e "cura autoinduzida", porquanto estas enfatizam a participação e acentuam o papel proativo do doente.
As faculdades de medicina ocidentais, com louváveis exceções, nada dizem sobre os doentes especiais, não lecionam sobre a importância do amor e do carinho para a obtenção da cura das doenças, não ensinam como os futuros médicos deverão ouvir e falar com seus pacientes. Esperam, contudo, que seus alunos curem os doentes...
Bernie Siegel, corajosamente, expõe em seu livro que no começo da década de 1970, já com mais de dez anos de experiência como cirurgião oncolgista, estava desiludido com seus afazeres mecânicos, tendo em vista que a grande maioria dos pacientes graves que tratava acabava morrendo. Como agravante, percebeu que, a exemplo de seus colegas, também tratava seus pacientes como máquinas defeituosas que precisavam de conserto.
Quando já cogitava até em mudar de profissão, um de seus pacientes cancerosos, o pianista Mark, fê-lo entender, com seu próprio exemplo de vida artística, que poderia ser feliz como médico. Sucede que à medida Mark melhorava, os amigos insistiam para que ele voltasse a dar concertos, fazer recitais, recebendo sempre como resposta que ele não mais voltaria ao palco, pois se sentia mais feliz tocando em casa, ou seja, que continuava fazendo  o que amava, mas noutro contexto que atendia melhor suas necessidades individuais.
Bernie concluiu que podia e precisava fazer o mesmo. Abriu, então, de uma só vez, as portas do coração e do consultório, pedindo aos doentes que o chamassem de Bernie e não de doutor Siegel, pois queria ser conhecido como uma pessoa, e não como um título.
Compreendeu que para conquistar respeito pelo que fazia e não pelo que aprendera na faculdade, precisava autoamar-se e amar seus pacientes. Tão logo pôs o amor em prática, abraçando e beijando seus pacientes para lhes demonstrar carinho, confiança e afeição, constatou, enternecido, que ao mesmo tempo em que ajudava os enfermos a mobilizar suas forças íntimas sentia que se lhe evaporavam a culpa, o desespero e o cansaço que tanto o afligiam.
Percebeu, com profunda emoção e ternura que, na realidade, eram os seus pacientes que o estavam salvando!!!
Fiquemos com Deus e até a próxima...

domingo, 18 de junho de 2017




do átomo ao arcanjo: 

uma viagem deslumbrante


1 - O Universo
Estima-se que há cerca de 13,7 bilhões de anos existia apenas o átomo primitivo ou ovo cósmico, cujo tamanho era bem menor que o da cabeça de um alfinete, embora abrigasse energia condensada capaz de produzir calor equivalente a bilhões de graus Celsius.
De repente, sem que se saiba por quê, ele se inflou, atingiu o tamanho de uma maçã e explodiu, ejetando seus fragmentos em todas as direções e, assim, gerando as partículas elementares da matéria.
Tais partículas continuaram se expandindo em todas as direções, resfriando-se lentamente, ganhando densidade e criando grandes estrelas vermelhas que, por alguns bilhões de anos, funcionaram como fornalhas ardentes gigantescas de cujo núcleo explosões atômicas de alta magnitude expeliram dejetos que, pouco a pouco, forjaram os elementos básicos que compõem todos os seres do Universo.
Da morte de uma dessas estrelas surgiu a nossa galáxia, o nosso Sol, o nosso planeta.
2 - o átomo primitivo
Qual a origem da maçã incandescente que causou a Grande Explosão conhecida como “Big Bang”? Teria sido criada pelo nada ou por um Ser Superior?
Segundo o axioma científico de que não existe efeito sem causa, do qual deriva que todo efeito inteligente tem causa inteligente, a primeira hipótese é de logo descartada, pois o nada é estéril, não produz nada, até porque deixaria de ser nada e passaria a ser algo no exato momento em que desse luz a alguma coisa.
Resta, portanto, a segunda alternativa: o Universo tem um Pai, um Criador, um Ser inexcedível em poder e inteligência!
O Espírito André Luiz complementa que os infinitos mundos que compõem o acervo corpuscular que preenche o Universo servem à sublime finalidade de proporcionar a evolução relativa dos Espíritos criados por Deus, predestinados à angelitude.
3 - o princípio inteligente
Tem-se, portanto, que a razão de ser do Universo é o progresso intelecto-moral dos Espíritos emanados do Pai-Criador, e, por assim ser, puros, incorruptíveis, imortais, indestrutíveis.
O Princípio Inteligente (Espírito) se aperfeiçoa progressivamente através de numerosas metamorfoses. Somente depois de cumprir  estágios multimilenares nos reinos (1) mineral, para adquirir a solidez simbolizada pela estrutura óssea; (2) vegetal, para incorporar a sensibilidade; e (3) animal, para assimilar os instintos, é que o Espírito adquire a faculdade do livre-arbítrio e se torna um ser racional, herdeiro de si mesmo e autor do seu próprio destino.
Criado simples (único, homogêneo, formado por uma só parte) e ignorante, (sem conhecimento, experiência e aquisições), ele, em sendo Essência Divina, detém recursos inexauríveis para se desenvolver e alcançar fatalmente o reino angelical.
4 - o planeta terra
Segundo a ciência humana, os astros e planetas surgiram em decorrência da condensação da matéria disseminada no espaço. A Terra, em particular, formou-se há cerca de 4,6 bilhões de anos pela condensação dos gases expelidos pela explosão de uma estrela vermelha (supernova), adensados pela força da gravidade.
Durante 800 milhões de anos a Terra permaneceu como um mar de fogo em face de sua origem estelar e, sobretudo, da chuva de  meteoros que caíam incessantemente sobre ela. Tempo a tempo, foi sendo protegida por uma crosta que facilitou o esfriamento gradativo.
Favorecida pela posição privilegiada que a mantém a uma distância adequada do Sol, e pelo equilíbrio gravitacional que enseja a retenção de líquidos, a Terra desfruta de uma atmosfera propícia ao acolhimento e manutenção da vida orgânica.
Segundo a hipótese de maior aceitação nos meios acadêmicos, há 3,8 bilhões de anos os gases da atmosfera primitiva (metano, amônia, hidrogênio) e os vapores de água expostos às descargas elétricas e raios ultravioletas começaram a formar aminoácidos e bases nitrogenadas — unidades básicas das proteínas e dos ácidos nucleicos (DNA e RNA) —, cujo capeamento por delicada camada lipídica gerou as bactérias primitivas.
Os corpos dos seres vivos se formaram pela reunião das moléculas elementares, em virtude da lei de afinidade e à medida que as condições vitais do globo terrestre o permitiram.
De acordo com outra hipótese, as primeiras formas de vida, ou as moléculas químicas essenciais à Vida, vieram para a Terra de outras regiões do Universo.
Seja qual for a hipótese correta, isso não se deu por obra do acaso, pela coalisão fortuita dos elementos primitivos.
O Princípio Inteligente ali estava e agia com seu poderoso campo magnético, criando as condições indispensáveis para que as reações químicas se verificassem de forma adequada e oportuna para a eclosão da Vida.
5 - O Divino Escultor
Na direção de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma comunidade de Espíritos Puros, em cujas mãos estão as rédeas diretoras da Vida.
Jesus, um dos membros dessa excelsa comunidade, contando com o apoio irrestrito de inúmeros auxiliares devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra visando o equilíbrio dos corpos simples de matéria e a organização do “habitat” necessário à existência dos seres do porvir, regulando a pressão atmosférica e instalando a camada de ozônio para a filtragem dos raios solares.
Finda as obras infraestruturantes, coube aos artistas e técnicos da espiritualidade maior, sob a assistência amorosa do Cristo, edificarem o mundo das células e elaborarem as formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros, tudo culminando com o aparecimento dos primeiros hominídeos. 
6 - Como se deu a evolução
A evolução dos seres vivos é um fato indiscutível na ciência.
O estudo dos fósseis trouxe a lume que bactérias sem núcleo individualizado evoluíram para seres unicelulares, com membrana nuclear e organelas um pouco mais complexas, cuja inter-relação fez com que surgissem formas de vida pluricelulares e, assim, numa cadeia de complexidade crescente, surgiram os vegetais, os animais inferiores,  os animais superiores, e, por fim, os seres humanos.
Se considerarmos apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia constataremos; mas, se passarmos de um anel a outro, sem transições bruscas ou descontinuidades, constataremos os liames existentes entre as plantas e os animais vertebrados.
De tal arte, os animais de organização complexa representam o resultado da transformação gradual das espécies inferiores, desde o primitivo ser elementar, ou seja, cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.
O que se discute e controverte é como isso se deu.
A hipótese mais aceita pelos cientistas associa as ideias que formam o Neodarwinismo: (1) a Seleção Natural, proposta por Russel Wallace e Charles Darwin no século XIX; e (2) o Mutacionismo, defendido por Hugo de Vries.
As mutações são transformações ocorridas na molécula do DNA. Como o DNA é o molde em que a célula se orienta para sintetizar as suas proteínas, as modificações no DNA produzem mudanças nas proteínas da célula, promovendo alterações em sua forma e função.
Dentre as mutações, destacam-se as que possibilitam que alguns indivíduos sobrevivam e se reproduzam de forma mais eficiente que os demais (seleção natural).
Assim, o Neodarwinismo explica o surgimento de novas espécies (mutações sofridas pelas espécies anteriores) e desaparecimento de espécies antigas (não foram suficientemente aptas para sobreviverem na luta pela vida). Calcula-se que 99% das espécies existentes no passado já desapareceram.
Mas para o Neodarwinismo tudo isso se deu sem um propósito, uma finalidade, e sim como resultado das forças cegas do acaso, o que é ilógico, pois fere de morte o princípio de que não existe efeito sem causa, tornando indispensável a existência do Princípio Inteligente.
A evolução das espécies em geral e do homem em particular se deu em dois estados de Vida: o material e o espiritual.
Os “elos perdidos da evolução”, ou seja, os fenômenos evolutivos para os quais a ciência não encontra justificativas, foram idealizados e concretizados na dimensão espiritual, longe das lentes investigativas dos pesquisadores e estudiosos terrenos.
O Princípio Espiritual funciona como um “design inteligente”,  com seu corpo etéreo constituído de energias sutis que o transformam em campo modelador da forma física.
As conquistas evolutivas do princípio espiritual vão sendo simultaneamente plasmadas nos corpos perispiritual e físico, em suas experiências nos dois planos de Vida.
Para que se compreenda o processo de evolução em toda a sua plenitude deve-se, necessariamente, considerar a ação dos biólogos do plano astral que, sob a supervisão amorosa de Jesus, acompanham todo o progresso do mundo, intervindo, quando necessário, nos corpos espirituais das formas evolutivas, durante seu estágio no plano espiritual.
7 - A viagem do princípio inteligente
Criado simples e ignorante, o Princípio Inteligente encontra os recursos de que necessita para seu aprimoramento nas experiências que desfruta junto às diferentes espécies biológicas, em sua longa e esplendorosa jornada evolutiva.
O corpo material é, simultaneamente, seu envoltório externo e  instrumento de conexão com o plano físico. Por isso, à medida que ele adquire novas aptidões reveste-se de invólucros apropriados aos novos gêneros de trabalho que lhe cabe executar.
São as vivências do ser espiritual, ora no plano físico, ora no plano espiritual, que o enriquecem estruturalmente e aprimoram seu corpo fluídico, o perispírito.
É nesse ir e vir de multimilenária duração que o Princípio Espiritual enfrenta os mais acidentados problemas de adaptação e seleção, assimilando, evento a evento, os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais complexa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.
No mineral: a atração
Como fase inicial, o Princípio Espiritual Inteligente influencia as organizações atômico-moleculares do reino mineral, funcionando como um eixo energético intrometido no núcleo dos átomos e das moléculas, criando, com suas vibrações, o campo de agregação refletido nas forças de atração e coesão.
Agindo na intimidade do mineral, o Princípio Inteligente absorve experiências que favorecem seu fortalecimento progressivo.
No vegetal: a sensação
Adquiridas as experiências possíveis junto ao mineral, o Princípio Espiritual adentra no reino vegetal para assimilar a sensibilidade das plantas e o perfume das flores, ou seja, para aprender a agir de forma harmônica e equilibrada aos diferentes estímulos do meio ambiente.
Sem sua passagem por este reino, ele tenderia à brutalidade.
No animal: o instinto
Maturado no reino vegetal, o Princípio Espiritual ingressa no reino animal para assimilar os instintos. De início, assimila-os apenas dos animais inferiores, bastante simplificados; Com o passar do tempo, começa a entesourar o contributo dos animais mamíferos, detentores de órgãos mais bem trabalhados, preparando-se, para bem mais à frente, ingressar no reino da razão, exercitar o livre-arbítrio.                                           
No homem: a razão
Os mais antigos fósseis do “Homo sapiens”, datados de 300.000 a 350.000 anos, foram recentemente encontrados no sítio arqueológico da caverna de Jebel Irhould, no Marrocos, extremo oeste da África,  fortalecendo o entendimento de que a evolução do ser humano se deu de forma gradual, e em diversas regiões do continente africano.
Segundo os Emissários do Cristo, a conquista da razão e da faculdade do livre-arbítrio não se verificou de forma brusca, mas, sim, durante milênios, em existências sucessivas nos primatas superiores e, depois, progressivamente, nas várias espécies do gênero Homo.
Os ensaios biológicos e as destruições em massa
Desde que a Vida surgiu na Terra, vários casos de extinção em massa de seres vivos foram documentados. O mais recente dista cerca de 65 milhões de anos da nossa era, quando um meteoro de mais ou menos 10 km de diâmetro caiu no golfo do México e exterminou os grandes répteis.
Dessas extinções massificadas surge uma dúvida atormentadora:
“Se o Princípio Espiritual funciona como um design inteligente, como entender o surgimento de formas animais que não deveriam prevalecer com o tempo?”
Para dissipá-la é preciso entender que a Essência Amorosa ou Princípio Inteligente criado por Deus traz em sua estrutura íntima um propósito de evolução, uma força irresistível que sempre o impulsiona para a conquista da plenitude angelical. Ao contrário do que pensam alguns, ele não cumpre um roteiro predeterminado que deva seguir. Se assim fosse, não haveria mérito, de nada valeria o esforço individual.
 Para que a ascese do Ser em processo de evolução seja digna e meritória é imprescindível que suas escolhas sejam sempre amorosas, mansas e humildes de coração, o que somente se consolida som o tempo através de inúmeras experiências nas quais os erros e acertos educam o Espírito, dão-lhe experiência e retidão de caráter.
As espécies biológicas que surgiram e desapareceram devem ser lançadas na conta de ensaios biológicos experimentados pelo Princípio Inteligente que busca o melhor caminho para chegar ao seu destino.
A evolução do Espírito é criativa e, como tal, não é prefixada.
É preciso que tudo se regenere e evolua. Na verdade, o que chamamos de destruição não passa de uma transformação vital para a renovação e a melhoria dos seres vivos.
Por exemplo: a destruição em massa dos grandes répteis permitiu que um pequeno símio, do tamanho de um camundongo, que vivia fugindo dos dinossauros, encontrasse espaço para viver livremente. Esse minúsculo símio, cerca de 3 milhões de anos depois, transformou-se no grande primata-matriz para o surgimento da espécie humana.
 Inserida no Capítulo IX de O Livro dos Espíritos, que aborda a ação dos Espíritos nos fenômenos da Natureza, a questão 540 pacifica nosso entendimento acerca da longa, multifacetada e encantadora viagem de retorno da criatura à casa do Pai-Criador.
 “540. Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza operam com conhecimento de causa, usando do livre-arbítrio, ou por efeito de instintivo ou irrefletido impulso?
 “Uns sim, outros não. Estabeleçamos uma comparação.
Considera essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos.
Julgas que não há aí um fim providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral? Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus.
Pois bem, do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida, antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral.
É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo.
Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!”
Referências:
O Princípio Espiritual: do Átomo ao Arcanjo, Ricardo Baesso de Oliveira
A Caminho da Luz, Emmanuel/Chico Xavier.
A Evolução Anímica, Gabriel Delanne.
A Gênese e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Breve história de quase tudo, Bill Bryson.
Criação Imperfeita, Marcelo Gleiser.
Evolução em dois mundos, André Luiz/Chico Xavier.
Iluminação Interior, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco.
Impulsos criativos da evolução, Jorge Andrea.
O Consolador, Emmanuel/Chico Xavier.
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
O Relojoeiro Cego, Richard Dawkins.
O Tao da Libertação, Mark Hathaway e Leonardo Boff.      

A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...