do átomo ao arcanjo:uma viagem deslumbrante |
1 - O Universo
Estima-se que
há cerca de 13,7 bilhões de anos existia apenas o átomo primitivo ou ovo cósmico, cujo tamanho era bem menor
que o da cabeça de um alfinete, embora abrigasse energia condensada capaz de
produzir calor equivalente a bilhões de graus Celsius.
De repente,
sem que se saiba por quê, ele se inflou, atingiu o tamanho de uma maçã e
explodiu, ejetando seus fragmentos em todas as direções e, assim, gerando as
partículas elementares da matéria.
Tais partículas
continuaram se expandindo em todas as direções, resfriando-se lentamente, ganhando
densidade e criando grandes estrelas vermelhas que, por alguns bilhões de anos,
funcionaram como fornalhas ardentes gigantescas de cujo núcleo explosões
atômicas de alta magnitude expeliram dejetos que, pouco a pouco, forjaram os
elementos básicos que compõem todos os seres do Universo.
Da morte de
uma dessas estrelas surgiu a nossa galáxia, o nosso Sol, o nosso planeta.
2 - o átomo
primitivo
Qual a
origem da maçã incandescente que causou a Grande Explosão conhecida como “Big
Bang”? Teria sido criada pelo nada ou por um Ser Superior?
Segundo o
axioma científico de que não existe efeito sem causa, do qual deriva que todo
efeito inteligente tem causa inteligente, a primeira hipótese é de logo
descartada, pois o nada é estéril, não produz nada, até porque deixaria de ser
nada e passaria a ser algo no exato momento em que desse luz a alguma coisa.
Resta,
portanto, a segunda alternativa: o Universo tem um Pai, um Criador, um Ser
inexcedível em poder e inteligência!
O Espírito
André Luiz complementa que os infinitos mundos que compõem o acervo corpuscular
que preenche o Universo servem à sublime finalidade de proporcionar a evolução relativa
dos Espíritos criados por Deus, predestinados à angelitude.
3 - o princípio
inteligente
Tem-se,
portanto, que a razão de ser do Universo é o progresso intelecto-moral dos
Espíritos emanados do Pai-Criador, e, por assim ser, puros, incorruptíveis, imortais,
indestrutíveis.
O Princípio
Inteligente (Espírito) se aperfeiçoa progressivamente através de numerosas metamorfoses.
Somente depois de cumprir estágios
multimilenares nos reinos (1) mineral, para adquirir a solidez simbolizada pela
estrutura óssea; (2) vegetal, para incorporar a sensibilidade; e (3) animal, para
assimilar os instintos, é que o Espírito adquire a faculdade do livre-arbítrio
e se torna um ser racional, herdeiro de si mesmo e autor do seu próprio destino.
Criado
simples (único, homogêneo, formado por uma só parte) e ignorante, (sem
conhecimento, experiência e aquisições), ele, em sendo Essência Divina, detém
recursos inexauríveis para se desenvolver e alcançar fatalmente o reino
angelical.
4 - o planeta
terra
Segundo a
ciência humana, os astros e planetas surgiram em decorrência da condensação da
matéria disseminada no espaço. A Terra, em particular, formou-se há cerca de
4,6 bilhões de anos pela condensação dos gases expelidos pela explosão de uma estrela
vermelha (supernova), adensados pela força da gravidade.
Durante 800
milhões de anos a Terra permaneceu como um mar de fogo em face de sua origem
estelar e, sobretudo, da chuva de meteoros que caíam incessantemente sobre ela. Tempo
a tempo, foi sendo protegida por uma crosta que facilitou o esfriamento
gradativo.
Favorecida
pela posição privilegiada que a mantém a uma distância adequada do Sol, e pelo equilíbrio
gravitacional que enseja a retenção de líquidos, a Terra desfruta de uma
atmosfera propícia ao acolhimento e manutenção da vida orgânica.
Segundo a
hipótese de maior aceitação nos meios acadêmicos, há 3,8 bilhões de anos os gases
da atmosfera primitiva (metano, amônia, hidrogênio) e os vapores de água
expostos às descargas elétricas e raios ultravioletas começaram a formar aminoácidos
e bases nitrogenadas — unidades básicas das proteínas e dos ácidos nucleicos
(DNA e RNA) —, cujo capeamento por delicada camada lipídica gerou as bactérias
primitivas.
Os corpos
dos seres vivos se formaram pela reunião das moléculas elementares, em virtude
da lei de afinidade e à medida que as condições vitais do globo terrestre o
permitiram.
De acordo
com outra hipótese, as primeiras formas de vida, ou as moléculas químicas
essenciais à Vida, vieram para a Terra de outras regiões do Universo.
Seja qual
for a hipótese correta, isso não se deu por obra do acaso, pela coalisão
fortuita dos elementos primitivos.
O Princípio
Inteligente ali estava e agia com seu poderoso campo magnético, criando as
condições indispensáveis para que as reações químicas se verificassem de forma adequada
e oportuna para a eclosão da Vida.
5 - O Divino
Escultor
Na direção
de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma comunidade de Espíritos
Puros, em cujas mãos estão as rédeas diretoras da Vida.
Jesus, um
dos membros dessa excelsa comunidade, contando com o apoio irrestrito de
inúmeros auxiliares devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos
da Terra visando o equilíbrio dos corpos simples de matéria e a organização do “habitat” necessário à existência dos
seres do porvir, regulando a pressão atmosférica e instalando a camada de
ozônio para a filtragem dos raios solares.
Finda as
obras infraestruturantes, coube aos artistas e técnicos da espiritualidade
maior, sob a assistência amorosa do Cristo, edificarem o mundo das células e elaborarem
as formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros, tudo culminando
com o aparecimento dos primeiros hominídeos.
6 - Como se deu
a evolução
A evolução
dos seres vivos é um fato indiscutível na ciência.
O estudo
dos fósseis trouxe a lume que bactérias sem núcleo individualizado evoluíram
para seres unicelulares, com membrana nuclear e organelas um pouco mais
complexas, cuja inter-relação fez com que surgissem formas de vida
pluricelulares e, assim, numa cadeia de complexidade crescente, surgiram os
vegetais, os animais inferiores, os
animais superiores, e, por fim, os seres humanos.
Se
considerarmos apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia constataremos;
mas, se passarmos de um anel a outro, sem transições bruscas ou
descontinuidades, constataremos os liames existentes entre as plantas e os
animais vertebrados.
De tal
arte, os animais de organização complexa representam o resultado da transformação
gradual das espécies inferiores, desde o primitivo ser elementar, ou seja, cada
espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente
inferior.
O que se
discute e controverte é como isso se deu.
A hipótese
mais aceita pelos cientistas associa as ideias que formam o Neodarwinismo: (1) a
Seleção Natural, proposta por Russel Wallace e Charles Darwin no século XIX; e (2)
o Mutacionismo, defendido por Hugo de Vries.
As mutações
são transformações ocorridas na molécula do DNA. Como o DNA é o molde em que a
célula se orienta para sintetizar as suas proteínas, as modificações no DNA produzem
mudanças nas proteínas da célula, promovendo alterações em sua forma e função.
Dentre as mutações,
destacam-se as que possibilitam que alguns indivíduos sobrevivam e se
reproduzam de forma mais eficiente que os demais (seleção natural).
Assim, o Neodarwinismo
explica o surgimento de novas espécies (mutações sofridas pelas espécies anteriores)
e desaparecimento de espécies antigas (não foram suficientemente aptas para
sobreviverem na luta pela vida). Calcula-se que 99% das espécies existentes no
passado já desapareceram.
Mas para o
Neodarwinismo tudo isso se deu sem um propósito, uma finalidade, e sim como
resultado das forças cegas do acaso, o que é ilógico, pois fere de morte o
princípio de que não existe efeito sem causa, tornando indispensável a
existência do Princípio Inteligente.
A evolução
das espécies em geral e do homem em particular se deu em dois estados de Vida:
o material e o espiritual.
Os “elos
perdidos da evolução”, ou seja, os fenômenos evolutivos para os quais a ciência
não encontra justificativas, foram idealizados e concretizados na dimensão
espiritual, longe das lentes investigativas dos pesquisadores e estudiosos
terrenos.
O Princípio
Espiritual funciona como um “design inteligente”, com seu corpo etéreo constituído de energias
sutis que o transformam em campo modelador da forma física.
As
conquistas evolutivas do princípio espiritual vão sendo simultaneamente plasmadas
nos corpos perispiritual e físico, em suas experiências nos dois planos de Vida.
Para que se
compreenda o processo de evolução em toda a sua plenitude deve-se, necessariamente,
considerar a ação dos biólogos do plano astral que, sob a supervisão amorosa de
Jesus, acompanham todo o progresso do mundo, intervindo, quando necessário, nos
corpos espirituais das formas evolutivas, durante seu estágio no plano
espiritual.
7 - A viagem do
princípio inteligente
Criado
simples e ignorante, o Princípio Inteligente encontra os recursos de que
necessita para seu aprimoramento nas experiências que desfruta junto às
diferentes espécies biológicas, em sua longa e esplendorosa jornada evolutiva.
O corpo material
é, simultaneamente, seu envoltório externo e
instrumento de conexão com o plano físico. Por isso, à medida que ele adquire
novas aptidões reveste-se de invólucros apropriados aos novos gêneros de
trabalho que lhe cabe executar.
São as
vivências do ser espiritual, ora no plano físico, ora no plano espiritual, que o
enriquecem estruturalmente e aprimoram seu corpo fluídico, o perispírito.
É nesse ir
e vir de multimilenária duração que o Princípio Espiritual enfrenta os mais acidentados
problemas de adaptação e seleção, assimilando, evento a evento, os valores
múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da
sensibilidade, da percepção e da preservação, penetrando, assim, pelas vias da
inteligência mais complexa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da
razão.
No mineral: a atração
Como fase
inicial, o Princípio Espiritual Inteligente influencia as organizações
atômico-moleculares do reino mineral, funcionando como um eixo energético
intrometido no núcleo dos átomos e das moléculas, criando, com suas vibrações,
o campo de agregação refletido nas forças de atração e coesão.
Agindo na intimidade
do mineral, o Princípio Inteligente absorve experiências que favorecem seu
fortalecimento progressivo.
No vegetal: a sensação
Adquiridas
as experiências possíveis junto ao mineral, o Princípio Espiritual adentra no
reino vegetal para assimilar a sensibilidade das plantas e o perfume das flores,
ou seja, para aprender a agir de forma harmônica e equilibrada aos diferentes
estímulos do meio ambiente.
Sem sua
passagem por este reino, ele tenderia à brutalidade.
No animal: o instinto
Maturado no
reino vegetal, o Princípio Espiritual ingressa no reino animal para assimilar os
instintos. De início, assimila-os apenas dos animais inferiores, bastante
simplificados; Com o passar do tempo, começa a entesourar o contributo dos animais
mamíferos, detentores de órgãos mais bem trabalhados, preparando-se, para bem mais
à frente, ingressar no reino da razão, exercitar o livre-arbítrio.
No homem: a razão
Os mais
antigos fósseis do “Homo sapiens”, datados de 300.000 a 350.000 anos, foram
recentemente encontrados no sítio arqueológico da caverna de Jebel Irhould, no Marrocos, extremo
oeste da África, fortalecendo o
entendimento de que a evolução do ser humano se deu de forma gradual, e em diversas
regiões do continente africano.
Segundo os Emissários
do Cristo, a conquista da razão e da faculdade do livre-arbítrio não se verificou
de forma brusca, mas, sim, durante milênios, em existências sucessivas nos
primatas superiores e, depois, progressivamente, nas várias espécies do gênero
Homo.
Os ensaios biológicos e as destruições em massa
Desde que a
Vida surgiu na Terra, vários casos de extinção em massa de seres vivos foram
documentados. O mais recente dista cerca de 65 milhões de anos da nossa era, quando
um meteoro de mais ou menos 10 km de diâmetro caiu no golfo do México e
exterminou os grandes répteis.
Dessas
extinções massificadas surge uma dúvida atormentadora:
— “Se o Princípio Espiritual funciona como um
design inteligente, como entender o surgimento de formas animais que não
deveriam prevalecer com o tempo?”
Para
dissipá-la é preciso entender que a Essência Amorosa ou Princípio Inteligente
criado por Deus traz em sua estrutura íntima um propósito de evolução, uma
força irresistível que sempre o impulsiona para a conquista da plenitude
angelical. Ao contrário do que pensam alguns, ele não cumpre um roteiro
predeterminado que deva seguir. Se assim fosse, não haveria mérito, de nada valeria
o esforço individual.
Para que a ascese do Ser em processo de
evolução seja digna e meritória é imprescindível que suas escolhas sejam sempre
amorosas, mansas e humildes de coração, o que somente se consolida som o tempo
através de inúmeras experiências nas quais os erros e acertos educam o Espírito,
dão-lhe experiência e retidão de caráter.
As espécies
biológicas que surgiram e desapareceram devem ser lançadas na conta de ensaios
biológicos experimentados pelo Princípio Inteligente que busca o melhor caminho
para chegar ao seu destino.
A evolução do
Espírito é criativa e, como tal, não é prefixada.
É preciso
que tudo se regenere e evolua. Na verdade, o que chamamos de destruição não
passa de uma transformação vital para a renovação e a melhoria dos seres vivos.
Por
exemplo: a destruição em massa dos grandes répteis permitiu que um pequeno
símio, do tamanho de um camundongo, que vivia fugindo dos dinossauros,
encontrasse espaço para viver livremente. Esse minúsculo símio, cerca de 3
milhões de anos depois, transformou-se no grande primata-matriz para o
surgimento da espécie humana.
Inserida no
Capítulo IX de O Livro dos Espíritos, que aborda a ação dos Espíritos nos
fenômenos da Natureza, a questão 540 pacifica nosso entendimento acerca da
longa, multifacetada e encantadora viagem de retorno da criatura à casa do
Pai-Criador.
“540. Os Espíritos que exercem ação nos
fenômenos da Natureza operam com conhecimento de causa, usando do
livre-arbítrio, ou por efeito de instintivo ou irrefletido impulso?
“Uns sim, outros não. Estabeleçamos uma
comparação.
Considera essas miríades de animais que, pouco a
pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos.
Julgas que não há aí um fim providencial e que essa
transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral?
Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às
suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus.
Pois bem, do mesmo modo, os Espíritos mais
atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida,
antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do
livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se
constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências
já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as coisas
do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral.
É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na
Natureza, desde o átomo primitivo até o
arcanjo, que também começou por ser átomo.
Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado
espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!”
Referências:
O Princípio Espiritual: do Átomo ao Arcanjo,
Ricardo Baesso de Oliveira
A Caminho da Luz, Emmanuel/Chico Xavier.
A Evolução Anímica, Gabriel Delanne.
A Gênese e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Breve história de quase tudo, Bill Bryson.
Criação Imperfeita, Marcelo Gleiser.
Evolução em dois mundos, André Luiz/Chico Xavier.
Iluminação Interior, Joanna de Ângelis/Divaldo P.
Franco.
Impulsos criativos da evolução, Jorge Andrea.
O Consolador, Emmanuel/Chico Xavier.
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
O Relojoeiro Cego, Richard Dawkins.
O Tao da Libertação, Mark Hathaway e Leonardo Boff.

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