“Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão as doenças.” Hipócrates (460-377 a.c.)
INTRODUÇÃO
Na
citação que serve de epígrafe ao presente trabalho, o pai da medicina deixa
patente que somente com a mobilização dos recursos naturais que jazem em sua
Essência Divina a criatura humana logrará a cura de suas enfermidades.
Em Plenitude, terceiro livro da renomada Série
Psicológica psicografada por Divaldo Franco, a Mentora Joanna de Ângelis leciona
que “a criatura humana possui,
inexplorados, valiosos recursos que aguardam canalização conveniente. Entre
eles, a bioenergia é fonte de inexauríveis potencialidades, que o
desconhecimento e a negligência direcionam em sentido equivocado, malbaratando
inconscientemente forças preciosas.”
Apesar de
separadas por 25 séculos, as duas visões psíquicas expressam uma mesma
realidade: o poder terapêutico invencível dos recursos naturais que integram o
tesouro anímico do Espírito.
Examinemos mais
detidamente o processo de cura espontânea das doenças.
A mente é o principal atributo da alma. Em um
de seus hemisférios está gravada a legislação divina —
sintetizada na Lei de Amor —, segundo a resposta dada por Espíritos Superiores à
Questão 621 de O Livro dos Espíritos;
no outro, acha-se a central energética do livre-arbítrio, por meio da qual
exercitamos livremente a faculdade de pensar (semear), assumindo, porém, a obrigação
de colher os frutos produzidos pelas sementes lançadas sobre o Universo
Interdimensional, sejam eles doces e saudáveis ou amargos e doentios.
Pensar é
produzir energias em frequências correspondentes à modalidade pensada. Cada
pensamento, ao ser emitido, é confrontado com os preceitos divinos consubstanciados
na Lei de Amor, podendo, à evidência, coadunar-se ou não com os mandamentos do
Pai-Criador, conforme seja amoroso e benigno ou desamoroso e maléfico,
respectivamente.
No já citado livro
Plenitude, o Espírito Amigo esclarece
que as doenças provêm de desequilíbrios psicológicos que desestabilizam as
vibrações dos órgãos que compõem a maquinaria orgânica, permitindo a
proliferação de elementos destrutivos. Por assim ser, todo trabalho de
regularização deve sempre partir da energia para o corpo, do espírito para a
matéria, de dentro para fora.
É essencial que
a criatura cultive ideias amorosas para que se mantenha em comunhão com o
Criador, pois somente assim ela será fertilizada pelo amor divino, preservando ou
restabelecendo seu equilíbrio mental e a consequente harmonia vibratória das
peças que compõem o organismo perecível.
Sábias,
portanto, as palavras de Hipócrates que prefaciam esta obra literária. Não obstante,
é muito triste constatar que a medicina ocidental ainda restringe sua atuação ao
combate à doença, sem estabelecer programas que objetivem o desenvolvimento da
saúde. Por isso, em geral os médicos creem — e agem — segundo a falsa crença de
que é a doença que ataca as pessoas, e não estas que adoecem por se tornarem
suscetíveis às suas causas.
Volvamos
a Hipócrates. Com elogiável descortino ele apregoava, há 2.500 anos, que era mais
fácil detectar o gênero de pessoa acometida por determinada doença, do que descobrir
o gênero de doença sofrido por determinada pessoa.
Embora os
médicos de primeira ordem saibam muito bem disso, a medicina ocidental não
costuma estudar as pessoas que não adoecem. Poucos são os profissionais da
saúde que procuram saber como as atitudes dos pacientes influenciam a duração e
a qualidade de suas vidas.
Diversas
pesquisas científicas realizadas com tecnologia de ponta revelam que o homem dispõe
de recursos internos extraordinários, tanto para expressar mensagens de "vida",
quanto para expedir comandos de "morte“. Está provado que o estado de
espírito altera o estado físico por meio do sistema nervoso central, do sistema
endócrino e do sistema imunológico, que a paz mental envia ao corpo a mensagem
de "viva", ao passo que a depressão, o medo e demais negatividades psicológicas
transmitem-lhe a mensagem de "morra".
Felizmente, nenhuma
mensagem ou doença, por mais grave que seja, impede ou limita a capacidade de
amar do ser humano!
Vale mencionar
que no primeiro século da era cristã o poeta e retórico romano Decimus lunius Iuvenalis, popularizado
entre nós como Juvenal, já asseverava, com inabalável convicção, que a saúde do
corpo físico dependia da saúde da mente, ao proferir a máxima “mens sana in corpore sano”.
Não existe
milagre. Nas palavras abalizadas de Albert
Einstein “o milagre é a ocorrência de
um fato cujo mecanismo nós ignoramos.” As curas ou remissões espontâneas
resultam da otimização de padrões mentais, da transmutação do sistema de
crenças, da reforma íntima, para melhor, do Espírito em evolução.
Toda cura é,
portanto, científica, muito embora a ciência ainda não seja capaz de explicar
como se desenvolve o processo de autocura.
Após vivenciar
diversas experiências com pacientes terminais, o famoso cirurgião
norte-americano Dr. Bernie S. Siegel firmou a convicção de que o amor é a seiva
da vida e escreveu o livro Amor, Medicina
e Milagres, um referencial literário sobre o qual discorremos ao longo deste
ensaio, em cujas primeiras linhas coletamos esses belos ensinamentos: “O problema central da maioria dos pacientes
é o autodesamor, portal de acesso preferido das doenças. (...) os milagres não
provêm do frio intelecto, porém do nosso eu autêntico e da perseverança naquilo
que sentimos ser nosso verdadeiro rumo.”
Proatividade do
doente
"Quem realmente não acredita em milagres não é
realista". David Ben-Gurion
(1886-1973)
Os
avanços científicos e tecnológicos têm tornado viáveis uma série de coisas e
atividades que eram tidas como inadmissíveis, impraticáveis, inexequíveis.
No
que concerne especificamente à saúde do ser humano, a medicina holística, a
psicologia transpessoal, a psiconeuroendocrinoimunologia e demais ciências devotadas
ao estudo do homem integral, que, a exemplo de culturas orientais
multimilenárias, levam em conta as infinitas possibilidades de cura da energia anímica
que todos nós possuímos em estado de latência, aguardando a oportunidade de ser
convenientemente mobilizada, atingem resultados excepcionais.
Precisamos,
pois, em caráter de urgência, deletar a palavra impossível do nosso vocabulário
e substituir as expressões “milagre” e “remissão espontânea” por “autocura” e
"cura autoinduzida", porquanto estas enfatizam a participação e
acentuam o papel proativo do doente.
As
faculdades de medicina ocidentais, com louváveis exceções, nada dizem sobre os
doentes especiais, não lecionam sobre a importância do amor e do carinho para a
obtenção da cura das doenças, não ensinam como os futuros médicos deverão ouvir
e falar com seus pacientes. Esperam, contudo, que seus alunos curem os doentes...
Bernie
Siegel, corajosamente, expõe em seu livro que no começo da década de 1970, já
com mais de dez anos de experiência como cirurgião oncolgista, estava desiludido com seus
afazeres mecânicos, tendo em vista que a grande maioria dos pacientes graves
que tratava acabava morrendo. Como agravante, percebeu que, a exemplo de seus
colegas, também tratava seus pacientes como máquinas defeituosas que precisavam
de conserto.
Quando
já cogitava até em mudar de profissão, um de seus pacientes cancerosos, o
pianista Mark, fê-lo entender, com seu próprio exemplo de vida artística, que
poderia ser feliz como médico. Sucede
que à medida Mark melhorava, os amigos insistiam para que ele voltasse
a dar concertos, fazer recitais, recebendo sempre como resposta que ele
não mais voltaria ao palco, pois se sentia mais feliz tocando em casa, ou seja, que continuava fazendo o que amava, mas noutro contexto que atendia melhor
suas necessidades individuais.
Bernie
concluiu que podia e precisava fazer o mesmo. Abriu, então, de uma só vez, as
portas do coração e do consultório, pedindo aos doentes que o chamassem de
Bernie e não de doutor Siegel, pois queria ser conhecido como uma pessoa, e não
como um título.
Compreendeu
que para conquistar respeito pelo que fazia e não pelo que aprendera na
faculdade, precisava autoamar-se e amar seus pacientes. Tão logo pôs o amor em
prática, abraçando e beijando seus pacientes para lhes demonstrar carinho,
confiança e afeição, constatou, enternecido, que ao mesmo tempo em que ajudava
os enfermos a mobilizar suas forças íntimas sentia que se lhe evaporavam a culpa, o
desespero e o cansaço que tanto o afligiam.
Percebeu,
com profunda emoção e ternura que, na realidade, eram os seus pacientes que o
estavam salvando!!!
Fiquemos com Deus e até
a próxima...

