quinta-feira, 20 de junho de 2013

OS NÔMADES - 2.ª PARTE: A ESTREIA


A conjugação do amor devotado à música com o fascínio causado pelos instrumentos recém-chegados de São Paulo e a vontade inquebrantável de interpretar os grandes sucessos dos Beatles, Renato e Seus Blue Caps, Brazilian Bitles e Os Incríveis gerou uma poderosa sinergia que nos favoreceu o aprendizado dos instrumentos de cordas e percussão respectivos em longos e exaustivos ensaios onde a alegria fraterna, a colaboração espontânea e o entusiasmo juvenil anestesiaram as dores da fadiga e do cansaço.

Vencida rápida e heroicamente a fase de aprendizado (hoje tenho certeza que cada um de nós já havia sido músico em vidas passadas), de logo adentramos na etapa subsequente, qual seja, a de seleção das músicas que comporiam o repertório inicial do conjunto, sem dúvida a mais fácil, animada e agradável, porquanto a impetuosidade da juventude nos induziu ao projeto grandiloquente de interpretar todas as composições musicais que agitavam o universo melódico contemporâneo, fossem nacionais ou internacionais.     

Definido o pretensioso portfólio musical, iniciamos as atividades operacionais necessárias à interpretação das melodias pré-selecionadas. Deparamo-nos, então, com sérios problemas que haviam sido ofuscados pelo nosso arroubo juvenil, alguns até insolúveis. 

Ei-los: 
  1. muitas músicas tocadas pelos bandas de rock tomadas como paradigmas envolviam a participação de instrumentos que não dispúnhamos, nem sabíamos tocar  (piano, órgão, teclado, saxofone, gaita etc);
  2. várias outras, requeriam habilidades e técnicas que não detínhamos como  músicos iniciantes no trato dos instrumentos que nos foram destinados;
  3. para densificar a problemática, nossos  instrumentos e amplificadores não dispunham de recursos sofisticados; o único avanço tecnológico era uma alavanca existente na guitarra-solo cujo acionamento concomitante com o ferir da palheta nas cordas de aço causava oscilações nas ondas sonoras.
Diante de tais obstáculos, tudo levava a crer que não nos restava nenhuma outra alternativa senão a de abandonar o sonho de interpretar várias de nossas músicas prediletas. 

Entretanto, confirmando mais uma vez a veracidade da máxima "ajuda-te que o céu te ajudará", conseguimos superar muitas das dificuldades liminarmente consideradas insuplantáveis com o sempre saudável e eficaz exercício da fé e da criatividade, mantendo em nosso repertorio diversas das melodias desejadas.         

Composto e ensaiado o repertório vestibular, decidimos, por unanimidade, que a  estreia oficial não poderia ser em nenhum outro local senão no Cebolinha que sempre nos fora cedido gratuitamente por João de Manoel Teles para sediar nossos longos, exaustivos, alegres e barulhentos ensaios.

Antes, porém, devíamos escolher uma das músicas que sabíamos tocar como trilha sonora ou tema de abertura do conjunto. Aírton, o único integrante da banda que havia estudado música, sugeriu a música Black is Black - um dos maiores sucessos da orquestra de Paul Mauriat nos anos 1960 - argumentando e convencendo-nos de que o ritmo contagiante da melodia e a entrada progressiva do baixo eletrônico, guitarra-base, bateria e guitarra-solo causaria um grande impacto no público-alvo que almejávamos conquistar.

Tudo pronto, inclusive a decoração do Cebolinha, submetemo-nos à prova final: em poucas palavras, Beto anunciou o conjunto e pediu que a plateia ouvisse com atenção a música-tema de Os Nômades (Black is Black), no intuito de, a final, opinar se deveríamos ou não mantê-la como nossa identidade sonora. 

Conforme previra Aírton, o vigor da música e, sobretudo, a entrada paulatina dos instrumentos causou um verdadeiro êxtase coletivo, culminando com demorados e calorosos aplausos de todos aqueles que nos assistiam.

Logo em seguida, expusemos o arranjo que havíamos feito de "O Milionário", um dois maiores sucessos de "Os Incríveis", sendo aplaudidos de pé pelos nossos primeiros e queridos fãs.

A estreia, portanto, não poderia ser mais exitosa.      

- continua...
      





          



domingo, 9 de junho de 2013

PODEMOS SER FELIZES NA TERRA?

Duas pequeninas e simples palavras, enunciadas com apenas oito letras do nosso alfabeto, definem com precisão cirúrgica o objetivo maior da vida de cada um de nós: SER FELIZ!

Entretanto, impõe-se a indagação: é-nos possível conquistar a felicidade na Terra? Noutras palavras: podemos ser felizes em um planeta categorizado pelos Espíritos Superiores como mundo de provas e expiações em face do grau de inferioridade dos seus habitantes que, subordinados à matéria, privilegiam prazeres fúteis e paixões efêmeras em detrimento do aprimoramento espiritual?

A célebre máxima do Eclesiastes: "A felicidade não é deste mundo" parece responder de forma definitiva e desalentadora à questão formulada. 

Com efeito, convivemos no dia a dia terráqueo com pessoas jovens, famosas, ricas e/ou poderosas — os pseudoventurosos da Terra, tão invejados por aqueles para os quais o desfrute concomitante da juventude, do poder e da riqueza assegura a conquista da felicidade —, “criaturas abastadas” que, no entanto, queixam-se amargamente de suas vidas biológicas e, insatisfeitas, enredam-se cada vez mais nas malhas fortes e sombrias da devassidão e dos vícios mundanos, animalizando-se, deprimindo-se e, não raro, cometendo crimes e/ou suicídio, tudo por desconhecerem que neste mundo, cada um tem sua cota de labor e de miséria, sua fração de dores e de sofrimentos.

O texto bíblico e as disfunções comportamentais anteriormente reportados contrastam com a bondade e a misericórdia divina, justificando a formulação de uma pergunta capital: será que da mesma forma que o mais árido deserto possui oásis floridos e acolhedores, a nossa mãe-Terra também não dispõe de ambientes saudáveis semelhantes em cujo âmbito possamos nos abrigar e desfrutar pelo menos excepcionalmente da felicidade?

Por intermédio da extraordinária mediunidade apostólica do sempre querido e saudoso Francisco Cândido Xavier (1910-2002), o Espírito Emmanuel elucida que o fato de a felicidade não ser deste mundo não significa que a felicidade não seja do homem (a palavra homem é aqui e de ordinário empregada em sentido lato, significando o ser humano em geral, a Humanidade).

De nossa parte, há mais de duas décadas integramos a falange de servidores espíritas encarnados sergipanos, participando, inclusive, da equipe assistencial do Dr. Bezerra de Menezes (1831-1890) que, às segundas-feiras à noite, atende gratuita e caridosamente a dezenas de enfermos no PROSEBEM – Pronto Socorro Espiritual Bezerra de Menezes, muitos deles vitimados por graves enfermidades em fase bastante avançada ou terminal, já desenganados pela medicina tradicional. 

No longo e benfazejo exercício de tais atividades assistenciais temos tido a graça de comprovar melhorias e curas cientificamente inexplicáveis, decorrentes da substituição, pelo doente, de paradigmas mentais negativos por padrões íntimos positivos recomendados pela espiritualidade amiga.

Os estudos teóricos realizados, as análises casuísticas desenvolvidas e as intuições mediúnicas internalizadas alicerçaram nossa fé de que podemos, sim, ser felizes e sadios em nosso planeta, tanto quanto o beduíno sedento e fatigado que após resistir corajosamente às intempéries do deserto encontrou um oásis acolhedor e nele se dessedentou, descansou, renovou suas forças e prosseguiu sua dura e longa viagem rumo à querida terra natal. 

Valendo-nos da mesma metáfora, enfatizamos que para alcançar o oásis repousante o beduíno precisou suportar toda a aridez do deserto, passar sede e fome, sofrer, enfim. Guardadas as devidas proporções, a conquista da felicidade possível na dimensão energética onde nos encontramos requer também bravura, entusiasmo, disposição e luta.  

Mas, para sermos felizes precisamos conhecer as noções básicas sobre a origem e a natureza do Cosmo e do planeta que habitamos, necessitamos autodescobrir-nos, trazer à tona nossas virtudes e defeitos sem emitir nenhum juízo de valor, sem recriminações, perdoando-nos e perdoando irrestritamente a tudo e a todos.

A ação de perdoar removerá as crostas áuricas produzidas pelos pensamentos e sentimentos negativos prolongados ou reiterados, restaurando nosso equilíbrio energético, recompondo a harmonia do nosso organismo e revestindo-nos com a argamassa protetora do amor sublime pregado pelo Mestre Jesus, nosso irmão-maior, modelo e guia. 

Amar acima de tudo ao Pai-Criador, amar-se e amar indiscriminadamente a todos os seres que compõem a maravilhosa orquestra divina: eis a única e singela receita prescrita por Jesus, tendo por único ingrediente o amor genérico, sincero e desinteressado, que precisamos elaborar mediante a emissão de pensamentos e sentimentos predominantemente amorosos, para saborearmos o banquete de luz comemorativo da conquista da tão desejada felicidade.

Que tal priorizarmos sua elaboração?      






sábado, 8 de junho de 2013

OS NÔMADES - 1.ª PARTE: A ORIGEM




Em 1956, formou-se na cidade britânica de Liverpool uma banda de rock inicialmente chamada de Silver Beetles, mas logo renomeada, por sugestão de John Lennon, para The Beatles. Na década imediatamente seguinte, ela se transformaria no empreendimento musical mais bem-sucedido e festejado da história da musica popular internacional. 

No Brasil, a beatlemania repercutiu de forma estrepitosa, deflagrando a criação do movimento apelidado de Jovem Guarda, onde Renato e Seus Blue Caps (1958) e The Brazilian Bitles (1965) pontuaram como bandas emblemáticas da introdução do som dos Beatles no cenário nacional, aquela até hoje reconhecida e famosa e esta injustamente esquecida...

A cidade serrana também foi sensibilizada pelos novos paradigmas sonoros implantados pelos jovens cabeludos de Liverpool, tendo como baluartes seus impetuosos filhos Beto Silveira e Tonho Tapioca.

Fãs ardorosos do ritmo agitado das melodias e do som febril e estridente das guitarras do yê-yê-yê, eles iniciaram uma saga coloquial junto a mim, Aírton, Anatólio e Luiz sugerindo-nos a fundação de um conjunto do novo gênero, argumentando, com vigor insuplantável, que os dotes musicais de cada um de nós poderiam ser transmutados da seguinte forma para compor a nova banda:   

  1. eu, solista de cavaquinho, violonista de serenatas e ex-guitarrista do Conjunto Dreher, seria o guitarra-solo;
  2. Aírton, até então saxofonista (sax alto), assumiria o baixo-eletrônico (não busquem correlações, pois elas não existem nem nunca existiram);
  3. Anatólio seria o baterista, dada a sua mania de tamborilar nas laterais de sofás e poltronas, em bancos de jardim e onde mais pudesse extrair algum som;
  4. Luiz, à época um simples aprendiz de violão, seria o guitarra-base.                    

Tudo relativamente fácil e exequível, na visão otimista de seus mentores, tão animada e contagiante que findamos encampando a ideia (e como foi bom tê-la acatado...). 

Amealhados a duras penas os recursos financeiros necessários, Beto viajou para a cidade de São Paulo onde adquiriu os instrumentos possíveis e indispensáveis: duas guitarras, um baixo. uma bateria e dois amplificadores de médio porte.

Lembro-me bem que seu retorno da capital paulista foi comemorado festivamente por todos nós, tal como crianças ao ganhar presentes de Papai Noel em noite de Natal.

Passada a euforia inicial, três graves problemas se interpuseram entre o sonho e a realidade.

O primeiro consubstanciava-se na falta de identificação de cada músico com o instrumento que lhe fora destinado e/ou com a maneira de tocá-lo, pois foi somente então que:
  1. eu percebi que precisava aprender a solar uma série de melodias que desconhecia, ou conhecia superficialmente, valendo-me apenas de meus recursos auditivos, já que nunca estudara música; 
  2. Aírton descobriu ao vivo e a cores que o saxofone alto nada tinha a ver com o baixo eletrônico;  
  3. Anatólio sentiu na pele que manejar os vários componentes da bateria era muito mais complexo e difícil do que extrair sons de móveis e utensílios; 
  4. Luiz, ainda engatinhando no aprendizado do violão e enfrentando dificuldades até mesmo para formar posições que envolvessem pestanas, aquilatou quanto seria difícil converter-se, a curto prazo, no elemento rítmico básico do conjunto.
O segundo, aparentemente mais fácil de resolver, dizia respeito ao nome da banda. Beto, revolucionário como sempre, sugeriu e foi aceito o exótico nome The Scotsmen (Os Escoceses), condenado à morte desde o nascedouro pelo saiote exigido pela indumentária escocesa e, por isso,  alterado para Os Nômades, em virtude da heterogeneidade domiciliar dos membros do conjunto.      

O terceiro problema, visceralmente ligado ao primeiro, correlacionava-se com a falta de respostas hábeis para satisfazer duas questões fundamentais: (1) onde aprender a tocar os novos instrumentos? (2) onde ensaiar?  Para nossa felicidade, o bairrismo itabaianense falou mais alto e vários locais nos foram oferecidos para viabilizar o atrevido intento musical, sendo utilizado, com mais frequência, os fundos do Cebolinha (antigo bar de João de Babau), graciosamente cedido por João de Manoel Teles, um dos maiores fãs e entusiasta de ver Itabaiana enfrentar musicalmente Lagarto, que até então detinha o monopólio do gênero com o invariavelmente excelente Los Guaranis

Todas as dificuldades foram heroicamente enfrentadas e superadas pelos componentes do grupo, os quais conseguiram o feito extraordinário de em poucos meses aprenderem a manusear seus novos instrumentos e iniciar as exitosas apresentações públicas que imortalizariam Os Nômades.

continua...    
             



        

A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...