segunda-feira, 18 de março de 2013

LEMBRANÇAS MUSICAIS DE ITABAIANA - O CONJUNTO DREHER

Nos anos 60, do século passado, eu morava na casa dos meus pais, Elísio e Cecília Araújo, situada à Praça Fausto Cardoso, tendo como vizinhos Tia Alina, irmã de meu pai, no lado voltado para a Matriz, e Dona Zefa e Seu Toinho, no outro.  

Costumeiramente e sobretudo após a missa domingueira das nove horas, Marilene Lobo abria o janelão da sala da frente de sua casa e, ao piano, brindava-nos com execuções primorosas de músicas clássicas, românticas, populares e de qualquer outro estilo que estivesse fazendo sucesso nas emissoras radiofônicas.

Pouco a pouco, mas de forma contínua e ascendente, a música foi exercendo sua invencível força atrativa, imantando um conjunto de pessoas ao redor da renomada pianista serrana.

Os primeiros a serem atraídos foram os próprios irmãos de Marilene: Rosângela, enriquecendo os solos de piano com o som complementar e harmonioso do seu acordeão e Djalma, percussionista nato, tamborilando nas laterais de uma poltrona improvisada como bateria.

Integrei-me ao pequeno grupo logo a seguir, contribuindo com solos, pequenos arranjos e acordes do meu violão genuinamente seresteiro, mas que já incursionava também pelo universo do yê yê yê, ícone musical dos anos 60.

E lá vieram, depois de mim: Fernando Pimental (bateria); Aírton (requinta, um instrumento de sopro  da família dos clarinetes); Nivaldo de Joãozinho Vermelhinho (percussão); Mendonça (trombone) e Geraldo Alagoano (crooner), não necessariamente nessa ordem.

Animados, os componentes do grupo decidiram fundar o Conjunto Dreher - denominação reveladora da predileção etílica de alguns...,  adquirindo, para tanto, os instrumentos necessários (bateria, guitarra, sax alto). 

Fundado, o Conjunto Dreher fez grande e merecido sucesso pois, sem falsa modéstia, era muito bom. 

À medida que os contratos foram se tornando mais constantes, o grupo passou a contratar músicos avulsos em Frei Paulo e Laranjeiras, basicamente, aumentando ainda mais sua fama.

As razões que determinaram a dissolução do conjunto são plenamente compatíveis com os motivos inspiradores de sua denominação. 

Contratados por Acrísio da Farmácia para abrilhantar a festa da padroeira de Nossa Senhora da Glória, os músicos efetivos e pontuais do conjunto deslocaram-se com bastante antecedência para a Capital do Sertão, nela chegando ainda na parte da manhã do sábado em que iriam tocar no baile de gala do clube local.

Fernando (que Deus o tenha) lembrou-se então que aquele, exatamente aquele, era o dia de seu aniversário natalício, convidando-nos para comemorarmos a efeméride no bar principal da cidade. E assim foi feito, com imprudente e exagerada ingestão de bebidas alcoólicas. 

À noite, na hora do baile, com poucas e honrosas exceções, os músicos estavam irremediavelmente embriagados. 

O pistonista, um excelente músico contratado em Laranjeiras, ao tentar extrair uma nota mais longa e aguda da música Cerejeira Rosa, vomitou dentro do próprio piston. 

Airton, ao ver seu companheiro expelir os dejetos, também o fez na boca do saxofone que empunhava.

Geraldo Alagoano, nosso crooner, chamado para preencher a lacuna, verbalizando a canção pioneira, não conseguiu balbuciar, quanto menos cantar, senão "a cerejeira não é rosa mais puffffffff".

Um desastre inenarrável, cujo desfecho se deu no meio da viagem de volta, quando paramos para um lanche e, por unanimidade, concluímos que a mácula da irresponsabilidade jamais seria eliminada do conceito do Conjunto Dreher, que, por via de consequência, precisava ser extinto. E o foi, naquela mesma hora e data.

Hoje, dezenas de anos depois, reflito maduramente e vejo que o vocábulo Dreher tanto inspirou os membros do grupo musical a fundar um conjunto, quanto os manteve animados até um determinado estágio, para, a final, destruí-los musicalmente. 

Assim mesmo faz o conhaque cujo nome foi tomado por empréstimo pelo conjunto e, por extensão, todas as bebidas alcoólicas: inspiram, animam, viciam, intoxicam e destroem! 

Uma bela lição, creio eu.    



           

 
 








sexta-feira, 8 de março de 2013

PARABÉNS, MULHERES: NUNCA O FRACO FOI TÃO FORTE!


No longínquo dia 8 de março de 1857, bravas operárias de uma fábrica de tecidos situada em Nova Iorque paralisaram suas atividades laborais e tomaram de assalto as dependências da indústria têxtil onde exerciam suas atividades para reivindicar a redução da jornada diária de trabalho de 16 para 10 horas, equiparação salarial e tratamento igualitário com os operários do sexo oposto.

A manifestação grevista foi reprimida com brutal violência, sendo as operárias trancafiadas dentro da própria fábrica, logo a seguir incendiada. Estima-se que 130 tecelãs tenham morrido carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência realizada na Dinamarca, elegeu-se o dia 8 de março como "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às aguerridas operárias que foram brutalmente assassinadas em 1857.

No entanto, somente em 1975 a ONU – Organização das Nações Unidas oficializou a data reverenciadora.

Hoje, dia 8 de março de 2013, conquanto o mundo terreno ainda preserve, por atavismo, alguns ranços machistas (é incrível, mas ainda há pessoas que creem no dogma religioso de que fomos expulsos do paraíso em virtude de Eva ter desobedecido ao Criador e comido parte de uma maçã. E mais: ainda seduziu seu parceiro, o pobre Adão, a também experimentar a fruta proibida, prejudicando-o e a nós outros irremediavelmente).

À medida, porém, que os estudos bioenergéticos evoluem, comprova-se cada vez mais decisivamente a fortaleza que é o tão mal denominado sexo frágil.

Tomemos como referencial, à guisa exemplificativa, a aura humana, ou seja, o campo energético protecional que circunvolve o ser humano.


A figura postada à esquerda espelha a aura feminina, ao passo que a imagem inserida à direita representa a aura masculina.

Analisando-as sob prisma estritamente científico, todos os estudiosos constataram que a mulher de ordinário irradia maior quantidade de energia vital do que o homem, acréscimo plenamente justificado, dizemos nós, por ser ela co-criadora, possuir útero e par de seios destinados essencialmente à geração e alimentação primária de novos seres.

Poderíamos enveredar por outras vertentes cognitivas (inteligência, dinamismo, sensibilidade), mas não vemos a menor necessidade de fazê-lo, de ultrapassar as fronteiras do que dissemos em relação à capacidade feminina de gerar energia vital através de suas emanações áuricas, bem como a de gerar novos seres humanos no exercício de sua divina função reprodutora.

Parabéns, minhas queridas irmãs. Perdoe-nos pela petulância atávica e injustificada de ainda nos rotularmos, embora cada vez menos, como sexo forte. 

Que bom seria se toda fragilidade humana guardasse correspondência energética com o inadequado e desconexo apelido de sexo frágil dado a vocês, mulheres.  

Que Deus sempre as abençoe, ilumine e proteja, renovando-lhes as forças e a paciência para aturar nossos defeitos e imperfeições machistas.                  


A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...