domingo, 22 de setembro de 2013

BOAS SEMENTES, BONS FRUTOS

No envolvente e fascinante universo dos fabulistas, Esopo desponta como figura primacial, um verdadeiro ícone dessa forma cativante de narrativa onde a verdade moral é habilmente enevoada pela ficção.

Sua origem, como não poderia deixar de ser, é um mistério aureolado por muitas lendas, tanto no que concerne à data do seu nascimento quanto ao local e a forma em que nasceu. 

Predominam, no entanto, as vertentes filosóficas que apontam suas origens ao ano 620 a.C., em Cotiaeum, cidade situada na antiga província de Frígia, na Grécia, na condição de escravo.

Graças à sabedoria demonstrada pela sua inspirada sensibilidade, o segundo senhor a que pertencia libertou-o dos grilhões desumanos da escravidão, presenteando-nos com a obra magistral que tanto nos encanta e enternece. 

Suas fábulas irradiam ensinamentos morais de elevada estatura, retratando, em cores límpidas, o drama existencial do ser humano em sua faina evolucional, sempre representado por Esopo, com extraordinária habilidade, por animais, objetos, ou coisas do reino vegetal e mineral. 

Na fábula "O Leão e o Rato", por exemplo, logo a seguir reproduzida, ele nos dá um eloquente testemunho do valor inestimável da humildade, advertindo-nos, em indolor linguagem ficcional, que nunca devemos desprezar quem quer que seja, porquanto a vida dá muitas voltas e talvez um dia venhamos a precisar exatamente da ajuda daquele a quem desprezamos.

Eis a fábula: 

"Havia um leão, rei de todos os animais, que depois das suas caçadas costumava dormir à sombra de uma bela árvore. 

Perto dali estava a toca de um grupo de ratinhos. Eles sempre esperavam o leão dormir e então saíam para brincar entre as folhas caídas pelo chão. 

Um dia, quando o leão estava dormindo, os ratinhos saíram despreocupados e começaram suas brincadeiras. 



De repente o chefe dos ratinhos caiu sobre a cabeça do leão que logo despertou. Apavorado disse-lhe o rato: - desculpe-me majestade, não me devore e prometo que nunca mais brincaremos aqui. 



- Ora! - respondeu-lhe o leão - Imagine se vou comer um mísero rato como você, só como carne de primeira. Você só merece o meu desprezo e, portanto, não vou nem perder meu tempo. 

Vários dias se passaram até que  numa certa noite, extremamente escura, o leão, durante suas andanças pela floresta, caiu numa armadilha de caçadores. Ficou todo amarrado por cordas muito fortes. Por mais que se debatesse, não conseguia livrar-se da rede. 


Todos os bichos da floresta fugiram apavorados. Nenhum se atreveu a ver o que estava acontecendo com o leão, muito menos socorrê-lo.  

Perto dali estavam os ratos que ouviram todo aquele barulho e, curiosos, foram ver o que estava acontecendo. Ao chegarem perto do leão viram que ele já estava muito cansado e esperando pelo pior destino. 

- Pelo que vejo, disse-lhe então o rato, vossa majestade caiu numa rede de caçadores e não consegue escapar. Mas não precisa se preocupar que tudo farei para libertá-lo. Chamou seus companheiros e ordenou-lhes: - vamos roer depressa as malhas desta rede, antes que os caçadores cheguem! 

Então todos se puseram a trabalhar febrilmente. Em poucos instantes arrebentaram toda a rede e soltaram o rei dos animais daquela armadilha. 



O leão ficou muito grato e teve uma grande lição de solidariedade."



Sem nenhuma dúvida, uma lição esplendorosa da soberana justiça resultante da aplicação automática da Lei de Causa e Efeito, também conhecida como Lei de Ação e Reação.

Vale a pena refletirmos maduramente sobre essa inafastável realidade: como força meramente reagente (não age, apenas reage), o Universo sempre nos devolve, com correção e juros energéticos, tudo aquilo que lhe entregamos: amor com amor, alegria com saúde, desamor, rebeldia e orgulho com doenças, dores, sofrimentos e infelicidade. 




A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS INTRODUÇÃO As parábolas de Jesus entesouram ensinamentos de inestimável valia para o nosso desenvolvimen...