Funcionários do Banco do Nordeste lotados na Agência de Simão Dias, eu, Brito, Geraldo, Sávio, Édson Caetano e outros benebeanos éramos hóspedes mensalistas da pensão de "Mãe Miné" - um pseudônimo por si só revelador da ternura maternal de uma inesquecível figura humana.
Num final de semana do verão de 1970, a pensão estava completamente lotada, devendo-se a plenitude da taxa de ocupação à hospedagem de vários atletas de um time de futebol visitante que enfrentaria a equipe simãodiense na tarde de domingo.
Experiente, "Mãe Miné" providenciou com a devida antecedência a elaboração de uma lauta e suculenta feijoada para servir como prato principal no almoço domingueiro.
Sintonizado em faixas vibratórias de má qualidade, surgiu-me a ideia de colocar um pequeno rato de borracha dentro do imenso caldeirão onde animadamente fervilhavam os ingredientes da tão afamada iguaria regional, inundando toda a pensão com um odor agradabilíssimo. Consumei o censurável intento no domingo pela manhã, às vésperas do almoço, camuflando estrategicamente o ratinho entre os pertences mais densos e atraentes da feijoada.
Na hora da refeição, apressei-me em abastecer meu prato, cuidando de pinçar com uma concha o ratinho que havia jogado dentro do caldeirão. Passo seguinte, já sentado à mesa, espetei o animalejo com o garfo e agitando-o alvoroçadamente esbravejei: um rato!
O desfecho é tão óbvio que não requer qualquer comentário elucidativo.
Mais de 40 anos depois, a simples lembrança desse funesto epísódio reacende a fogueira inapagável do remorso!