No final da década de 60, do século passado, a agência do Banco do Nordeste em Cícero Dantas(BA) era gerenciada pelo dileto amigo Manoel Emílson Fagundes de Moraes, e contava em seus quadros com funcionários altamente qualificados tais como: Marcos Manoel de Almeida, Juventino Peixoto de Lacerda, Pedro Morais de Oliveira, Osório de Carvalho Melo e Ubiratan Alves Mendes.
O município baiano não dispunha, à época, de infraestrutura básica, deficiência substantiva à qual atribuo o entrelaçamento fraternal dos benebeanos que compunham a unidade operacional em vitrine, que costumavam sufocar suas doloridas e saudosas lembranças no Bar de Carlito ao término do expediente vespertino.
Foi nela que tive a ventura de ingressar no BNB no dia 19 de junho de 1968, mais precisamente no Setor de Crédito Rural comandado por Juventino, segmento de maior representatividade da agência, e conheci a extraordinária figura humana conhecida como Botinha, um filósofo nato e gozador sutil.
Naqueles tempos, a agência do Banco do Brasil mais próxima ficava na cidade de Ribeira do Pombal, a 31 km de distância, aproximadamente, acessível por estrada de péssima qualidade, mormente quando chovia com maior intensidade.
Era a essa unidade do BB que a agência do BNB recorria tradicionalmente para suprir ou recompor a reserva de numerário controlada pela tesouraria, cabendo, quase sempre, ao Botinha ir buscar o suprimento em um velho jipe de sua propriedade.
Recordo-me que às vésperas de uma dessas perigosas
empreitadas perguntei-lhe, preocupado:
- Botinha, não tens medo de ir buscar tanto dinheiro em um jipe velho e por estrada tão esburacada?
O filósofo-gozador não titubeou em esboçar a resposta abaixo reproduzida em termos mais ou menos precisos, dada sua longevidade, a qual agasalha em si mesma a grandiosidade da figura humana que a concebeu e pronunciou:
- Doutor, quem diabo vai imaginar que um negro velho, trajando uma roupa velha (ele, antes de viajar, despia-se da indumentária que o identificava como servente do BNB) e dirigindo um jipe velho e sujo, esteja levando tanto dinheiro? Tem maior segurança do que essa, doutor?

Que beleza meu caro Zé Raimundo! Essas lembranças são extraordinárias e sua forma elegante de narrar as tornam ainda mais interessantes. O saudoso Botinha era realmente uma figura humana excepcional. Tive o privilégio de trabalhar com ele duas vezes. Tomei posse no BNB Cícero Dantas em 19/08/1965 e fiquei somente até outubro de 1966. Depois retornei para exercer a função de Gerente, no período de fevereiro de 1980 a janeiro de 1982. O prédio que ilustra este post, foi construido em minha gestão e inaugurado pelo saudoso Dr. Camilo Calazans.
ResponderExcluirQue bom é lembrar dos bons colegas. Em 1972 passei 2 meses em Cícero Dantas, substituindo o Gildo, que era o Gerente. Lá conheci vários amigos, dentre eles o Botinha, que você aqui lembra com sua elegante narrativa. Endosso as palavras do grande Amâncio: "Uma beleza meu caro Zé Raimundo!".
ResponderExcluir