Aprovado quase simultaneamente em concursos realizados pelos Banco do Brasil e Banco do Nordeste, assumi neste último o posto de assistente de escritório na agência baiana de Cícero Dantas, no dia 19 de junho de 1968.
Era então o famoso guitarra-solo do conjunto Os Nômades, da cidade de Itabaiana(SE), composto por duas guitarras (base e solo), baixo, crooner e bateria, como era comum na época áurea da Jovem Guarda.
Contudo, o destaque conquistado nos meios musicais intra e extra fronteiras sergipanas não havia em nada afetado o amor devotado às serenatas desde os oito anos de idade, quando, ao cavaquinho, acompanhava meu pai Elísio e seu irmão Filadelfo, dois seresteiro natos, aquele cantor e este violonista excelentes.
Naquela época, Cícero Dantas dispunha de infraestrutura precária que, no campo energético, resumia-se a uma iluminação elétrica produzida por um gerador das seis às dez horas da noite, ou algo parecido.
O que fazer após cada expediente bancário? O bar de Carlito era a opção preferida dos funcionários do BNB, local onde rolavam whiskies com Coca-Cola e outras combinações exóticas ditadas não pelo mau gosto de seus usuários. mas, sim, pela falta de outras alternativas etílicas.
Foi nesse cenário aparentemente inóspito - e apenas aparentemente ruim - que tive a grata e imorredoura satisfação de ouvir e acompanhar ao violão a mais bela das vozes que ouvi ao longo de toda a minha longa e multifacetada caminhada musical.
Refiro-me ao colega e amigo Ubiratan Alves Mendes, cuja interpretação de Primavera até hoje considero insuperável. E olhe que de ordinário Ubiratan cantava e eu o acompanhava dentro de um jipe que ele utilizava no exercício de suas funções de fiscal orientador do BNB, naquele tempo um respeitável banco de desenvolvimento regional e hoje... (prefiro não comentar!)
O epílogo não poderia ser mais eloquente do que a lembrança de que finalizávamos nossa jornada musical no "entroncamento", deliciando-nos com aves grelhadas ao tempero sonoro inigualável de belas canções do cancioneiro popular brasileiro, magistralmente interpretadas por Ubiratan e, porque não dizê-lo, bem acompanhadas por mim.
Com razão, in casu, o poeta quanto insculpiu a primeira parte do adágio "éramos felizes"; não se nos aplica, entretanto, a segunda parte de seu aforismo, ou seja, o "e não sabíamos", pois tínhamos plena certeza da felicidade que desfrutávamos naquelas doces, saudosas e inesquecíveis noites de seresta!!!

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