Duas rãs, uma materialista e outra espiritualista, caíram desastradamente dentro de uma lata que continha leite líquido até 1/4 de sua altura.
Por natural instinto de sobrevivência, começaram a nadar, debatendo-se dentro do recipiente metálico que as aprisionavam.
A rã materialista, coerente com sua descrença na vida pós-morte, preparou-se para o triste e doloroso desenlace por afogamento. Afinal, pensava, tudo se extinguiria com o extermínio do corpo físico, até mesmo a lembrança de que existira.
A rã espiritualista, guardando também fidelidade aos princípios básicos da doutrina que abraçara, decidiu lutar pela sobrevida enquanto suas forças o permitissem. Idealizou - e sugeriu a sua companheira - que permanecessem nadando na superfície do leite e, de vez em quando, saltassem em direção à borda da lata, tentando nela se agarrarem.
Aceita a sugestão, ambas iniciaram o cansativo procedimento: nadavam, nadavam e, periodicamente, saltavam rumo a parte superior do vasilhame, não logrando, no entanto, alcançá-la, escorregando pelas laterais da lata e recaindo no leite.
Com o advento inevitável da exaustão, a rã materialista deu por finda sua luta: despediu-se da companheira, juntou as duas patinhas dianteiras, afundou e morreu afogada.
A rã espiritualista, conquanto também estivesse exausta, decidiu tentar um derradeiro salto. Após boiar mais um pouco na superfície leitosa para arrebanhar suas forças derradeiras, saltou em busca da liberdade.
E, surpreendentemente, obteve o êxito desejado, alcançando com relativa facilidade a borda da lata, nela se agarrando e alçando o corpo cansado à superfície.
Ainda apoiada na borda do vasilhame, contemplou o Universo de forma inusitada, nele visualizando beleza, equilíbrio e harmonia transcendentais, a mais viva comprovação da existência de uma inteligência superior.
Deslumbrada com a visão celestial, resolveu dar uma última olhadela ao interior da antiga prisão metálica para satisfazer uma curiosidade surgida em sua tela mental: como conseguira empreender o salto salvador e alcançar a extremidade da lata exatamente no momento em que estava mais débil e fragilizada?
Deparou-se, então, com uma realidade inimaginada: de tanto nadarem, saltarem, baterem e agitarem o leite, ela e sua extinta companheira haviam provocado uma mudança significativa de estado no leite. Este já havia, em parte, se transformado em manteiga, criando, por assim ser, a crosta superficial que servira de apoio para o salto libertador.
Vários conceitos morais podem ser extraídos desta fábula. Dentre eles, prefiro o que foi elaborado pelo médium Divaldo do Prado Franco:
"Mesmo que você esteja na maior dificuldade, trabalhe o leite do problema na manteiga da esperança e dê o seu salto, que você tendo um pouco de apoio, resultado do seu esforço, logrará o êxito que necessita".

Obrigado meu Irmão Zé Raimundo; que Deus te abençoe, ilumine e guarde sempre. Saúde e paz.
ResponderExcluirMaravilha Zé Raimundo! Você, como sempre, nos presenteando com belos textos. Parabéns.
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